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Organizações Humanitárias em Moçambique alertam que o agravamento da insegurança no Norte do país está a intensificar uma crise humanitária complexa e subfinanciada. Desde meados de Novembro, a escalada da violência por grupos armados não estatais deslocou mais de 120.000 pessoas. O relatório mais recente do OCHA da ONU (Dezembro de 2025) confirma que 107.784 pessoas foram deslocadas nas províncias de Nampula e Cabo Delgado.
O cenário é especialmente devastador para os mais jovens: mais de 55.000 crianças foram recentemente deslocadas apenas nas últimas duas semanas, após uma série de ataques violentos.
As Organizações Humanitárias descrevem a situação no Norte de Moçambique como uma das “emergências esquecidas e subfinanciadas do mundo”. Os números do financiamento demonstram a gravidade da situação: Apenas 73 milhões de dólares americanos foram recebidos, sendo que o montante necessário para responder à crise é de 352 milhões de dólares americanos.
Esta discrepância representa uma diminuição de quase 55% no financiamento em comparação com 2024. Em resultado, o Plano de Necessidades e Resposta Humanitária (HNRP) está financiado em apenas 20%.
Devido à urgência, stocks de alimentos e kits de saúde estão a esgotar-se, forçando o redireccionamento de recursos que estavam originalmente alocados para a próxima temporada de ciclones, uma medida que, segundo as organizações, está longe de ser suficiente.
A deterioração da segurança expõe os civis, em particular as crianças, mulheres, raparigas e pessoas com deficiência, a riscos acrescidos, nomeadamente: Perda total dos meios de subsistência, violência baseada no género e abuso sexual, separação familiar e trauma psicológico e surtos de doenças como a cólera, ameaçando sobrecarregar um sistema de saúde já frágil na região.
Perante o quadro de catástrofe humanitária, as organizações lançam um apelo à consciência e à comunidade internacional.
“Esta é uma das crises mais subfinanciadas e negligenciadas do mundo, mas não pode ser ignorada. É necessária uma acção urgente, um compromisso renovado, uma acção imediata, aumento do financiamento e forte vontade política,” afirma a nota.
As Organizações Humanitárias apelam aos doadores bilaterais e multilaterais, estados e governos para que mobilizem urgentemente os recursos para o país e se comprometam novamente a financiar a resposta, enfatizando que, para além da ajuda imediata, é fundamental que todas as partes trabalhem em soluções políticas duradouras para alcançar a paz sustentável, estabilidade e recuperação da região.



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