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O Presidente da República, Daniel Chapo, anunciou que Moçambique só irá iniciar o processo de renegociação da sua dívida com os credores internacionais após garantir um novo programa de financiamento com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Esta decisão estratégica visa, sobretudo, restaurar a confiança dos mercados externos e estabilizar os indicadores macroeconómicos do país. Em entrevista à Bloomberg Television, o Chefe do Estado sublinhou que a prioridade imediata do Executivo é consolidar o apoio do Fundo para reduzir a dependência dos recursos naturais e reforçar a credibilidade junto dos investidores internacionais.
As negociações com o FMI deverão conhecer desenvolvimentos decisivos após uma missão técnica regular da instituição agendada para o próximo mês de Março. Daniel Chapo considera que este passo é uma condição essencial antes de qualquer diálogo formal com os parceiros internacionais sobre o serviço da dívida.
“O que queremos neste momento é concluir o acordo com o FMI e depois avançar para a renegociação da dívida com os parceiros internacionais, pois queremos primeiro estabelecer confiança”, afirmou o Presidente, clarificando que este pacote de medidas funcionará como um estímulo à situação macroeconómica global de Moçambique.
Questionado sobre a possibilidade de alterar os termos da obrigação soberana de 900 milhões de dólares com vencimento em 2031, o estadista moçambicano descartou qualquer mudança imediata. Daniel Chapo explicou que todos os cenários serão considerados apenas após o fecho do novo pacote com o FMI, apesar de o mercado já dar sinais de expectativa. Atualmente, os títulos da dívida moçambicana estão a ser transacionados com taxas de rendimento próximas dos 14%, um indicador que reflete a cautela dos investidores e a antecipação de uma possível reestruturação futura.
O contexto financeiro do país é desafiante, uma vez que o último programa com o FMI terminou na prática no início de 2025, após o Governo ter optado por não prosseguir com as avaliações da Facilidade de Crédito Alargado.
A estrutura da dívida externa de Moçambique, que totalizava cerca de 9,8 mil milhões de dólares no final de 2024, revela uma forte dependência de parceiros bilaterais, com a China a deter aproximadamente 14% do total do crédito externo. A gestão desta carteira de credores é vista como fundamental para a sustentabilidade das contas públicas a médio prazo.
No campo económico, as estimativas do Banco Mundial apontam para um crescimento de 1,1% registado no ano passado, uma cifra que poderá ser revista dada a contração da produção observada nos três primeiros trimestres de 2025.
Para 2026, as previsões são mais optimistas, apontando para um crescimento de 2,8%. No entanto, o FMI continua a classificar os desafios de financiamento como agudos, insistindo na necessidade de uma consolidação orçamental rigorosa, maior flexibilidade na taxa de câmbio e, crucialmente, o controlo da massa salarial do Estado, que permanece um dos maiores pesos na despesa pública.



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