Cada quilo de arroz pode ficar até 21 meticais mais barato

DESTAQUE ECONOMIA
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Cada quilo de arroz vendido em Moçambique poderá ficar entre 14 e 21 meticais mais barato caso se concretize a promessa do Governo de reduzir em 20% a 30% o preço do cereal com a centralização da importação através do Instituto de Cereais de Moçambique (ICM).

Para uma família que consome cerca de 20 quilos de arroz por mês, essa redução traduz-se numa poupança mensal entre 280 e 420 meticais. Num ano, a economia acumulada poderá atingir 3.360 a 5.040 meticais, apenas na compra de arroz. É este o impacto directo que o Executivo associa à decisão de reorganizar o modelo de importação de arroz e farinha de trigo, uma medida apresentada como resposta a distorções no sistema anterior e como instrumento para proteger o consumidor.

Actualmente, o preço do arroz nos mercados urbanos do país varia, em média, entre 60 e 80 meticais por quilo, dependendo da qualidade e do ponto de venda. Tomando como referência um preço médio de 70 meticais, uma redução de 20% colocaria o quilo em cerca de 56 meticais. Uma redução de 30% baixaria esse valor para aproximadamente 49 meticais.

O Governo sustenta que o modelo anterior, marcado por importações dispersas, dificultava o controlo fiscal, facilitava a saída ilegal de divisas e acumulava custos ao longo da cadeia, custos esses que acabavam reflectidos no preço final pago pelo consumidor.

Com a centralização, o ICM passará a coordenar a negociação e aquisição externa, concentrando volumes de compra e aumentando o poder de negociação do país junto de fornecedores internacionais. A expectativa é que compras em grande escala permitam obter melhores preços à origem e reduzir margens consideradas excessivas.

Além do impacto no bolso das famílias, as autoridades afirmam que o novo modelo poderá permitir ao Estado poupar cerca de 100 milhões de dólares por ano em perdas associadas à evasão fiscal e à fuga de divisas.

A promessa, contudo, cria um teste objectivo. Se, nos próximos meses, o preço do arroz não cair na ordem anunciada, a política falhou. Por isso, especialistas defendem que será essencial a divulgação regular de dados sobre preços de compra, volumes importados e estrutura de custos, de modo a permitir escrutínio público sobre a evolução dos preços.
A centralização da importação de arroz e trigo deixa, assim, de ser um debate técnico. Passa a ser uma questão simples e verificável: quanto custa hoje um quilo de arroz e quanto custará amanhã. É nesse número que o Governo será avaliado.

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