Share this
A Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) apresentou publicamente um ambicioso Plano de Reconstrução Pós-cheias, orçado em 1.6 mil milhões de dólares, como resposta directa às recentes cheias que fustigaram o País. A proposta foi detalhada pelo presidente do partido, Venâncio Mondlane, durante uma conferência de imprensa marcada por tensão, após a Unidade de Intervenção Rápida ter impedido a sua realização defronte do Gabinete do Primeiro-Ministro.
Mondlane revelou que submeteu formalmente ao Chefe de Estado uma proposta para a convocação do Conselho de Estado.
“Foi entregue hoje, pelo partido ANAMOLA, a proposta de convocar o Conselho de Estado, que é, na verdade, um contributo para a formulação de um plano de reconstrução pós-cheias,”disse.
O líder da ANAMOLA defendeu uma mudança radical no paradigma de gestão de desastres, criticando a dependência excessiva de ajuda externa. Mondlane lembrou a vulnerabilidade de Moçambique perante as alterações climáticas e sublinhou a necessidade de seriedade institucional na abordagem ao problema. Para o político, a meta é clara: o País deve romper com o modelo de assistência internacional constante e focar-se na mobilização de recursos próprios para garantir a sua soberania e eficácia na resposta.
“Isto impele-nos a tratar este assunto com muita seriedade. Queremos mudar todo o paradigma dos programas de reconstrução pós-desastres. Queremos quebrar com o copy&paste de quando há uma tragédia no país termos de estender a mão como mendigos e pedir ajuda ao exterior,” defendeu.
A estratégia financeira do plano prevê que 90% dos recursos sejam mobilizados internamente ao longo de três anos. Mondlane detalhou que cerca de 30% do orçamento pode provir das receitas mineiras e petrolíferas, complementado por receitas de portagens, créditos de carbono e títulos climáticos.
O plano foca-se em áreas críticas como habitação resiliente, saúde e gestão de recursos hídricos, exigindo uma gestão rigorosa dos fundos para evitar desperdícios administrativos. Além da vertente económica, a proposta da ANAMOLA destaca a importância do conhecimento científico e do envolvimento da academia na reconstrução. Mondlane sugeriu a criação de brigadas técnicas universitárias e concursos de ideias para inovação em resiliência, reforçando que a solução para as calamidades deve ser técnica.
“Não podemos ter 30 ou 40% destes fundos gastos em salários, viaturas, viagens e almoços. Tem de haver austeridade extrema. Os desastres hoje são um problema essencialmente técnico e científico, não político. Queremos acabar com o espírito de mendicidade e mostrar que é possível reconstruir o país com as nossas próprias forças,” defendeu.
Paralelamente, o partido lançou o programa “Vamos Reconstruir Moçambique”, focado na solidariedade comunitária e no apadrinhamento de escolas e associações agrícolas por parte do sector privado. O objectivo final, segundo Mondlane, é restaurar a dignidade nacional através da auto-suficiência.



Facebook Comments