Ciclone faz quatro mortos e danifica mais de 1.200 casas

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  • Gezani já não constitui perigo
  • Número de vítimas da época chuvosa sobe para 215 em Moçambique

Quando os moçambicanos ainda tentavam recuperar-se dos efeitos da actual época chuvosa, que já provocou 215 mortos e afectou mais de 850 mil pessoas, e das inundações registadas em Janeiro no sul do país, responsáveis por 27 vítimas mortais, o país voltou a ser atingido por um novo fenómeno extremo. O ciclone Gezani fustigou a Província de Inhambane, no Sul de Moçambique, provocando quatro mortes,  feridos e a destruição de habitações e infraestruturas públicas e privadas. O fenómeno agravou a situação humanitária numa altura em que milhares de famílias ainda tentam reconstruir as suas vidas após sucessivas intempéries. Entretanto, a tempestade já não constitui nenhum perigo.

Evidências

O sistema entrou no território nacional na noite de sexta-feira, acompanhado por ventos que chegaram a cerca de 250 quilómetros por hora, afectando sobretudo distritos costeiros. Dados preliminares do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que quatro pessoas perderam a vida, três devido à queda de uma árvore e uma atingida por um raio, enquanto duas ficaram feridas, uma das quais em estado grave. Pelo menos 500 pessoas foram directamente afectadas.

A tempestade deixou um rasto visível de destruição. 1.262 casas foram parcial ou totalmente danificadas, obrigando famílias a procurar abrigo temporário. No sector da educação, 738 alunos e 27 professores foram afectados, tendo sido registados danos em 217 salas de aula, 100 escolas e 17 blocos administrativos. A rede sanitária também sofreu impactos, com oito unidades de saúde danificadas e prejuízos em dois sistemas de abastecimento de água, agravando o risco de doenças nas zonas atingidas.

Apesar da violência do fenómeno, as autoridades indicam que a situação começou a estabilizar-se. Os 16 centros de acomodação abertos em Inhambane, que chegaram a acolher 809 pessoas, já foram encerrados, permitindo o regresso gradual das famílias às suas residências, muitas ainda em processo de reconstrução.

No sector energético, a Electricidade de Moçambique (EDM) informou que o ciclone afetou 132 mil clientes. Até ao momento, 115 mil já tiveram o fornecimento restabelecido, permanecendo cerca de 17 mil sem eletricidade. A tempestade derrubou 61 postes, dos quais 32 já foram repostos, prosseguindo os trabalhos para normalizar o abastecimento.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) assegurou que o ciclone deixou de constituir perigo para o país, encontrando-se agora a deslocar-se para o Oceano Índico, o que permite às autoridades concentrar esforços na assistência às populações e na avaliação dos danos.

Antes de atingir Moçambique, o ciclone passou por Madagáscar, onde provocou 36 mortos e afectou cerca de 300 mil pessoas. Com a época chuvosa ainda longe do fim, cresce o receio de novas intempéries. As autoridades admitem que o desafio imediato passa por reforçar a resposta humanitária, apoiar a reconstrução e preparar comunidades já fragilizadas por sucessivos choques climáticos.

O total de mortos na actual época das chuvas em Moçambique subiu para 215, com registo de mais de 856 mil afectadas, desde Outubro, segundo a actualização feita esta segunda-feira pelo INGD.

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