Profissionais de saúde prolongam greve por 30 dias e governo minimiza impactos

SAÚDE
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A Associação dos Profissionais de Saúde acaba de anunciar o prolongamento da greve, iniciada em Janeiro, por mais 30 dias. O ministro da Saúde, Ussene Isse, reagiu ao anúncio e refere que não houve paralisação de actividades nas unidades sanitárias em todo o país e garantiu que todos funcionários “neste momento estão a trabalhar”.

O presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), Anselmo Muchave, anunciou em conferência de imprensa a prorrogação da greve por mais 30 dias até que as suas preocupações sejam atendidas.

“A Associação dos Profissionais de Saúde Unidas e Solidárias de Moçambique vem, por este meio, informar a opinião pública, nacional e internacional que, face à ausência de um diálogo sério, transparente e produtivo com o Governo, decidiu prorrogar a greve por mais 30 dias, com início a partir do dia 16 de Fevereiro”, acrescentando que, apesar das sucessivas manifestações públicas e apelos formais ao diálogo, o Governo continua a adoptar uma postura de confronto e braço-de-ferro, em vez de assumir uma posição responsável e orientada à resolução dos problemas estruturais que afectam o sector nacional de saúde.

Aliás, segundo a classe, diálogo, na prática, nunca existiu, limitando-se a declarações sem efeitos concretos, por isso “os profissionais de saúde continuarão firmes na sua posição, diante da falta de respostas claras e medidas concretas, mantendo-se de braços cruzados como forma legítima de reivindicação ao abrigo dos direitos constitucionais consagrados pela lei”.

Estima-se que cerca de 700 pessoas tenham perdido a vida nos últimos 30 dias como resultado da paralisação dos profissionais de saúde. A associação reivindica melhores condições de trabalho e equipamento médico-cirúrgico adequado, e lamenta a falta de medicamentos para os pacientes.

“Dizer que nessa luta, neste mês, lamentamos nós, profissionais de saúde, a perda de mais de 725 moçambicanos por falta de atendimento nas unidades sanitárias, falta de alimentação, transferências, falta de medicamentos e material médico-cirúrgico.

Apesar de tudo, a APSUM reitera a sua abertura para uma mesa de diálogo com o Governo com vista a encontrar “soluções concretas”.

“Reafirmamos a nossa abertura de algo sério, responsável, orientado a resultados concretos, contudo, enquanto persistir a ausência de compromissos reais e soluções estruturais, a greve continuará; estamos firmes na defesa da dignidade e da saúde do povo moçambicano”, concluiu.

Por sua vez, o ministro da Saúde reagiu ao sucedido. Ussene Isse garantiu que as unidades sanitárias estão em pleno funcionamento.

“Neste momento, o país está a trabalhar. Os colegas compreenderam a mensagem, estão no terreno. Estamos agora num momento de emergência em todo o país, estamos focados em ajudar as populações, por isso quando se fala de greves é uma tristeza porque a nossa missão é ajudar”.

O ministro reconheceu, sem rodeios, os problemas levantados pelos profissionais da saúde e prometeu dialogar, embora continue a ser acusado pelos profissionais de simplesmente lhes lançar areia nos olhos.

“Temos todos os problemas, reconheço. Mas vamos continuar a dialogar para ultrapassar. Não estamos em guerra e nem queremos guerra, vamos dialogar”, acrescentou.

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