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O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) reconheceu a existência de pagamentos pendentes ligados às consultas juvenis do projecto do Diálogo Nacional Inclusivo, numa reacção que surge depois de denúncias publicadas pelo Jornal Evidências sobre alegado incumprimento financeiro, falta de transparência e possíveis irregularidades na gestão dos eventos.
Jossias Sixpense, Beira
Na edição anterior, o Evidências revelou que participantes das regiões Centro e Norte do país, bem como prestadores de serviços, acusam o PNUD de não ter pago ajudas de custo, transporte, aluguer de salas, catering e outros encargos associados às auscultações realizadas em Dezembro, nas cidades da Beira e Nampula. Alguns dos visados afirmam ter recorrido a recursos próprios após garantias de que os pagamentos seriam efectuados durante ou logo após os encontros.
Segundo relatos recolhidos pelo jornal, quase dois meses após os eventos, os valores continuavam por regularizar, o que levou participantes a falarem em má-fé institucional e prestadores de serviços a manifestarem preocupação com prejuízos financeiros decorrentes do incumprimento.
Houve ainda episódios considerados incomuns pelos jornalistas, incluindo tentativas de pressão para que a reportagem fosse suspensa, sob promessa de que os pagamentos seriam efectuados, bem como pedidos para que a instituição não fosse citada na peça.
PNUD confirma pendências e começa pagamentos
Num comunicado divulgado no mesmo dia em que o Evidências saiu às bancas, o PNUD afirma estar ciente das alegações divulgadas na imprensa e assegura que não tolera práticas que comprometam a integridade institucional. A organização sustenta que os seus processos seguem normas rigorosas de governação e auditoria das Nações Unidas.
Apesar disso, o organismo admite que existem pagamentos pendentes relacionados com as consultas juvenis, justificando a situação com a necessidade de esclarecimentos adicionais junto dos beneficiários e garantindo que os constrangimentos estão a ser corrigidos para permitir a regularização.
O PNUD não indicou, contudo, prazos concretos para a liquidação dos valores, nem revelou quantos participantes e fornecedores continuam afectados. Entretanto, o Evidências sabe que a instituição já começou a pagar alguns dos participantes.
A admissão de pendências financeiras surge num momento em que cresce o escrutínio sobre a gestão de fundos ligados a processos políticos e programas financiados por parceiros internacionais em Moçambique.



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