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- Família denuncia inércia das autoridades sul-africanas e clama por justiça
- Polícia prendeu suspeitos, justiça soltou-os e diz que família tem que voltar em Agosto
Um cidadão moçambicano, de nome José Simbine, encontra-se desaparecido há quase duas semanas, depois de alegadamente ter sido levado para parte incerta, após ter sido brutalmente torturado pelo próprio patrão, na cidade de Thembisa, na África do Sul. O caso, envolto em contornos chocantes, está a lançar desespero na família, que denuncia falta de acção das autoridades policiais e do sistema judicial sul-africano.
Segundo relato exclusivo feito por familiares ao Evidências, tudo aconteceu na madrugada do dia 7 do mês em curso. A vítima, que trabalhava para um cidadão local, foi acusada de ter retirado indevidamente cerca de 500 rands do local de trabalho, o que resultou em justiça privada que originou a violência que se seguiu.
Imagens de câmaras de vigilância terão flagrado o momento, após o qual o patrão e outros indivíduos decidiram fazer “justiça pelas próprias mãos”. O moçambicano foi revistado, espancado e submetido a actos de tortura extrema.
“Bateram nele, feriram-no e até lhe colocaram piripiri nas feridas. Fizeram tudo o que podiam fazer quanto à tortura”, relata a família, visivelmente abalada.
A violência não terminou ali. O grupo seguiu com a vítima até à sua residência, onde arrombou a porta e aterrorizou a esposa em plena madrugada. Cinco homens reviraram a casa à procura de dinheiro. Sem sucesso, levaram apenas uma nota de 100 meticais, telemóveis e computadores. A vítima foi novamente levada à força e, desde aquele momento, nunca mais foi vista.

Após tomar conhecimento, a família, que se deslocou à África do Sul exclusivamente para procurar o seu ente querido, afirma ter aberto um processo criminal no dia 11. Dias depois, três suspeitos, incluindo o patrão, chegaram a ser detidos. Contudo, o que se seguiu levanta ainda mais suspeitas.
“No mesmo dia em que foram ao tribunal, foram soltos. Até hoje não sabemos como isso aconteceu. Ninguém nos explicou nada, ninguém nos chamou sequer para ouvir o nosso depoimento”, denuncia o irmão da vítima.
A sensação de abandono é total. A família afirma estar a ser empurrada de um lado para o outro pelas autoridades sul-africanas, sem qualquer informação concreta sobre o andamento do caso.
“Já fomos aos hospitais, às casas mortuárias, já procurámos em todo lado. Não há sinal dele, nem vivo, nem morto”, desabafa.
Para agravar a situação, o tribunal terá agendado nova audiência apenas para Agosto, uma decisão que revolta os familiares. “Como é possível esperar até agosto se nem sabemos o que aconteceu com ele?”, questionam.
Inconformada, a família voltou à polícia para procurar esclarecimento, mas não logrou sucesso. Segundo o irmão da vítima, o processo encontra-se praticamente parado, depois de terem sido informados de que o detective responsável pelo caso está de baixa médica.
A soltura dos indiciados, o silêncio das autoridades e a aparente falta de urgência num caso que envolve sequestro, tortura e desaparecimento estão a gerar indignação. A família apela agora à intervenção de entidades moçambicanas e organizações de direitos humanos, temendo que o caso caia no esquecimento.
“Só queremos saber onde está o nosso irmão. Vivo ou morto. Mas queremos respostas”, conclui a família, em desespero, numa altura em que até ao momento, não há qualquer posicionamento oficial das autoridades sul-africanas sobre o desaparecimento do cidadão moçambicano.



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