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Moçambique assumiu o papel de liderança numa nova ofensiva regional contra a malária. O ministro da Saúde, Ussene Isse, anunciou o arranque de um novo ciclo de financiamento destinado a intensificar o combate a esta patologia. O programa, designado “Mozassua”, reforça a cooperação estratégica entre Moçambique, África do Sul e Eswatini, consolidando uma parceria de uma década entre a organização Goodbye Malaria e o Fundo Global. O governante sublinhou que a natureza transfronteiriça da doença exige uma resposta integrada, uma vez que a mobilidade populacional e os factores climáticos impedem soluções isoladas.
Durante a cerimónia de assinatura da renovação da subvenção regional, Ussene Isse destacou a importância da unidade política e técnica para vencer o desafio epidemiológico. O ministro enfatizou ainda que a malária não respeita fronteiras geográficas ou administrativas, tornando a fragmentação da resposta num erro estratégico.
“Nenhum país, nenhum país vence sozinho uma luta que é de todos. Com um esforço conjunto, consegue-se uma vitória de toda a região. A malária não reconhece fronteiras. É precisamente por isso que a resposta a este desafio não pode ser fragmentada. O progresso de um país depende, inevitavelmente, do progresso dos seus vizinhos,” defendeu.
Os resultados alcançados nas províncias moçambicanas do sul, onde se observou uma redução drástica dos casos nos últimos anos, servem de base para o plano estratégico 2026-2028. De acordo com os dados apresentados, a província de Gaza registou uma queda de 94,3% nas notificações de malária entre 2017 e 2025, enquanto a província de Maputo observou uma diminuição de 65,5% entre 2011 e 2025. O novo ciclo de financiamento tem como metas ambiciosas a eliminação da malária a nível distrital nas zonas mais críticas e a redução da incidência e prevalência da doença em 40% até 2028.
Ussene Isse reconheceu o papel fundamental dos parceiros internacionais, como a Fundação Gates e o Fundo Global, reiterando o compromisso do país com a saúde pública como um pilar de desenvolvimento. Ao oficializar o lançamento do programa.
“A luta contra a malária não é uma questão apenas de saúde. É uma questão de desenvolvimento, é uma questão de equidade, é uma questão de justiça social,” defendeu Isse, reiterando que a luta transcende o sector sanitário.



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