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Moçambique passou a contar, a partir desta quarta-feira, com um novo método de prevenção contra o HIV/SIDA. O ministro da Saúde lançou a administração da Lenacapavir, uma injeção de ação prolongada que, ao ser aplicada apenas duas vezes por ano, reduz drasticamente o risco de infeção. A medida surge num contexto em que o país regista anualmente cerca de 92 mil novas infeções, com uma incidência preocupante entre adolescentes e jovens, e onde a adesão contínua aos tratamentos enfrenta ainda obstáculos significativos, como o estigma e a discriminação social.
Durante a cerimónia de lançamento, realizada na província de Maputo, o ministro da Saúde sublinhou a importância deste fármaco para aliviar a carga sobre os pacientes e sobre o sistema de saúde.
“Esta introdução vem alargar o leque de medicamentos de prevenção de profilaxia. Isto vai reduzir a pressão sobre nós. As pessoas vêm levando medicamentos todos meses. Agora vai reduzir a pressão porque vai-se apanhar uma injeção duas vezes por ano,” disse.
As autoridades sanitárias alertaram, contudo, que este novo método não substitui os cuidados de saúde atuais, devendo integrar uma estratégia mais abrangente.
“Este método de prevenção não deve ser implementado de forma isolada. Deve ser combinado com o uso de preservativo, a testagem rápida, o tratamento antirretroviral e campanhas de educação para mudança social e de comportamento,” alertou.
Numa primeira fase, a Lenacapavir estará disponível em 55 unidades sanitárias, sendo o foco principal a proteção da camada mais jovem da população, a partir dos 15 anos de idade. O ministro justificou a priorização desta faixa etária destacando a necessidade de proteger o futuro do país.
“Iremos iniciar pelas unidades sanitárias das cidades e província de Maputo e Zambézia. Quando se fala muito do chamado dividendo demográfico, é este contingente. É por isso que esta injeção vai ser dada a partir dos 15 anos. Porque é este grupo que nós temos que salvar,” reforçou.
Com esta iniciativa, Moçambique torna-se o nono país africano a implementar este método de proteção desenvolvido nos Estados Unidos da América. O ministro da Saúde reiterou que o acesso à injeção é totalmente gratuito, sendo a sua administração exclusiva nas unidades sanitárias do Serviço Nacional de Saúde.



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