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O sistema de saúde em Moçambique enfrenta desafios crescentes no combate ao cancro, levando o Governo a apelar a uma cooperação mais estreita entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) para o fortalecimento da resiliência dos serviços médicos nacionais. O alerta foi deixado esta quarta-feira, 22 de Abril, pelo ministro da Saúde, Ussene Isse, durante a abertura da sétima conferência da Organização Africana de Pesquisa e Treino em Cancro (AORTIC), realizada em Maputo.
O governante sublinhou a complexidade do atual cenário epidemiológico, caracterizado pela pressão das doenças crónicas não transmissíveis sobre o sistema público, afirmando que:
“O cancro está a ser desafiador para os sistemas de saúde e, como sabem, começamos a ter doenças muito mais complexas do que eram antigamente,” disse.
Para mitigar este impacto, o executivo moçambicano defende a priorização dos cuidados de saúde primários como a base para a redução de complicações. Sobre esta estratégia, o ministro declarou o fortalecimento dos cuidados primários é a chave para redução de complicações.
“Se conseguimos criar robustez nos cuidados de saúde primários, teremos ganhos e iremos reduzir muito as complicações que temos hoje da diabetes, da hipertensão arterial, do cancro e também da saúde mental.” afirmou.
No âmbito da conferência, foi assinado um memorando de entendimento e ratificada a “Declaração de Maputo”, instrumentos destinados a promover a partilha de informação e a resposta baseada em evidências entre os estados membros. O esforço conjunto é visto como urgente face aos indicadores de mortalidade, que apontam para cerca de 26 mil novos casos e 17 mil óbitos anuais em Moçambique.
A presidente da AORTIC, Cesaltina Lorenzoni, alertou para o diagnóstico tardio como um dos principais entraves à sobrevivência dos pacientes.
“A chegada tardia aos serviços de saúde reduz significativamente as hipóteses de cura,” afirmou Lorenzoni.
O encontro serviu ainda para evidenciar desafios comuns aos países lusófonos, como a escassez de especialistas, a ausência de registos populacionais adequados e as dificuldades no acesso a tratamentos complexos, incluindo a radioterapia. Perante este panorama, Ussene Isse reforçou a necessidade de união entre os PALOP.
“Temos de nos unir como África. Temos de nos unir como PALOP para construirmos serviços e sistemas de saúde mais fortes, mais resilientes,” disse.



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