PGR: Investigações revelam envolvimento de mulheres no apoio logístico a grupos terroristas em Cabo Delgado

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As investigações sobre a dinâmica do terrorismo na província de Cabo Delgado revelaram uma preocupante tendência de envolvimento de mulheres no apoio logístico aos grupos armados. De acordo com informações avançadas pelo Procurador-Geral da República, Américo Letela, estas mulheres são frequentemente recrutadas ou aliciadas para assegurar o fluxo de bens essenciais, tais como alimentos e medicamentos, garantindo a sobrevivência operacional dos insurgentes no terreno.

Como exemplo concreto desta realidade, o magistrado referiu a situação detectada em Mocímboa da Praia, onde uma mulher desempenhava um papel activo na cadeia de abastecimento.

” Em Mocímboa da Praia, por exemplo, foi identificado um caso em que uma mulher adquiria regularmente produtos alimentares e assegurava a sua entrega a elementos terroristas, mantendo contacto directo com um membro do grupo para coordenação das operações,” explicou Américo Letela.

Esta actividade insere-se num panorama mais vasto de sustento das redes criminosas, as quais, segundo o Procurador, representam um desafio complexo à soberania e segurança nacional.

Para além do apoio logístico, as redes terroristas mantêm esquemas diversificados de financiamento, que incluem a extorsão sistemática de civis através da criação de barricadas em vias de acesso, saques e destruição de bens. Em 2025, o impacto destas actividades reflectiu-se nos números judiciais, com o registo de 32 novos processos de terrorismo, um aumento de 23,1% face ao período anterior. Somando aos casos transitados, o Ministério Público lidou com um total de 119 processos, dos quais 31 foram concluídos. Paralelamente, a luta contra o financiamento do terrorismo ganhou urgência, com os processos desta natureza a crescerem 40%, passando de 15 para 21, e culminando na apreensão de mais de 237 mil meticais destinados a sustentar grupos armados.

O Procurador-Geral da República sublinhou que a eficácia no combate a estes crimes é frequentemente limitada pelo difícil acesso às zonas de conflito e pela natureza volátil das operações de guerrilha. Para superar estes entraves, Américo Letela defende a necessidade de um reforço na articulação entre as diversas instituições do Estado.

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