Salomão Muchanga diz que Moçambique precisa de uma “nova luta de libertação”

DESTAQUE POLÍTICA
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  • 25 de Junho e a falência do sistema
  • “Os libertadores de ontem tornaram-se os opressores de hoje”

No mês em que Moçambique assinala mais um aniversário da Independência Nacional, o presidente da Nova Democracia, Salomão Muchanga, volta a lançar um dos mais duros ataques políticos alguma vez dirigidos às elites que governam o país desde 1975, afirmando que a nação enfrenta um “violento massacre da dignidade humana” e necessita de uma “segunda independência”.

Evidências

Num extenso manifesto alusivo ao 25 de Junho, Muchanga traça um paralelo entre os abusos cometidos pelo regime colonial português e aquilo que considera serem as práticas da actual elite dirigente, acusando os sucessivos detentores do poder de terem traído os ideais que estiveram na base da luta de libertação nacional.

“Os libertadores de ontem tornaram-se os opressores de hoje”, escreve o líder da Nova Democracia, numa das passagens mais contundentes do documento, no qual recorda as atrocidades do colonialismo, descrevendo um período marcado por humilhações, trabalhos forçados, discriminação racial e assassinatos.

Segundo o político, os moçambicanos foram “violentamente atacados” na sua dignidade, sendo tratados “como animais de carga”, numa época em que a riqueza do país era construída “sobre o suor, o sangue e os corpos sacrificados dos moçambicanos”.

Muchanga considera que os recursos naturais e a força de trabalho do povo foram explorados para enriquecer interesses externos, enquanto a maioria da população permanecia mergulhada na pobreza extrema.

Apesar das críticas ferozes à situação actual, o presidente da Nova Democracia reconhece o papel desempenhado pela Frelimo na conquista da independência.

“A Frelimo, enquanto movimento político de libertação, tem o mérito histórico de ter estado na vanguarda da luta contra a opressão colonial. A independência não foi uma oferta. Foi uma conquista alcançada com sacrifício, sofrimento e sangue derramado por milhares de moçambicanos”, refere Muchanga, destacando o contributo de Eduardo Mondlane, Samora Machel e de milhares de combatentes anónimos e comunidades que sustentaram a luta armada.

“Colonizadores pretos” e uma República capturada

É, porém, na análise do período pós-independência que o discurso assume contornos particularmente severos. Muchanga acusa os dirigentes moçambicanos de terem herdado e aperfeiçoado mecanismos de exclusão e repressão semelhantes aos utilizados pelo colonialismo.

“Seduzidos pelos privilégios, pelas mordomias e pelos benefícios do poder, herdaram e aperfeiçoaram mecanismos de repressão, exclusão e exploração”, afirma Muchanga, descrevendo os dirigentes como “colonizadores pretos”, que entregam os recursos estratégicos do país às multinacionais, enquanto as comunidades afectadas permanecem na miséria.

“Arrancam as terras das populações para explorar ouro, gás, petróleo, rubis, carvão e areias pesadas. Enriquecem as suas contas bancárias e consolidam o seu poder político, enquanto as comunidades morrem à fome”, acusa.

O líder da Nova Democracia sustenta ainda que o Estado foi capturado por uma minoria privilegiada que transformou as instituições públicas em instrumentos de dominação partidária e recorre à violência para silenciar vozes críticas..

“Capturam o Estado, partidarizam a função pública e viciam órgãos fundamentais da República, incluindo instituições eleitorais, para garantir a perpetuação do poder (…). Utilizam a polícia e os esquadrões de morte para intimidar, perseguir e silenciar cidadãos que exigem direitos, justiça e liberdade”, denuncia.

O apelo para uma “segunda independência”

Para o presidente da Nova Democracia, a primeira independência libertou o território, mas falhou em garantir a liberdade económica e a justiça social. Por isso, defende uma nova etapa histórica.

“O povo moçambicano enfrenta hoje um novo desafio histórico: organizar-se, unir-se e mobilizar-se para uma segunda independência”, sustenta, para depois enfatizar que essa luta não deve ser travada contra uma potência estrangeira, mas sim contra “a corrupção, a captura do Estado, a exclusão social e a apropriação privada dos recursos públicos”.

Muchanga defende a construção de um amplo consenso nacional e manifesta apoio ao actual processo de diálogo político. “Viva o Diálogo Nacional Inclusivo”, proclama, encerrando, o seu manifesto com o grito de guerra do seu partido: “Tempo de Vencer, Servir Moçambique”.

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