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O Presidente da República nomeou, esta tarde, Felisberto Dinis Navalha e Benedita Maria Guimino, respectivamente, para os cargos de governador e vice-governadora do Banco de Moçambique, colocando à frente da autoridade monetária dois quadros veteranos com mais de duas décadas de casa, perfis académicos complementares e experiência directa nas áreas de análise macroeconómica, emissão monetária e estabilidade financeira, num contexto em que o país enfrenta pressões inflacionárias persistentes e desafios cambiais que exigem respostas firmes e técnicas da banca central.
Felisberto Dinis Navalha é um economista de formação sólida, com um percurso que equilibra o rigor académico e a prática de gestão pública. É doutorado em Economia pela Universidade Católica de Moçambique, em parceria com a Faculdade de Economia do Porto, em Portugal. Concluiu o mestrado em Economia de Desenvolvimento em 2012 e a licenciatura em Economia em 1996, ambos pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
A sua carreira institucional está profundamente ligada ao Banco de Moçambique, onde ingressou em 1996 e permaneceu até 2022. Durante esse período, exerceu funções técnicas e de gestão de alto escalão, destacando-se como administrador e membro do Conselho de Administração (entre 2017 e 2022) e director do Departamento de Estudos Económicos (de 2011 a 2017).
Foi precisamente à frente deste departamento que Navalha consolidou o seu conhecimento sobre a conjuntura macroeconómica do país, produzindo análises cruciais para a condução da política monetária.
Para além da banca central, Navalha mantém uma forte ligação ao ensino superior. É docente na Faculdade de Economia da UEM, onde lecciona as cadeiras de Introdução à Macroeconomia, Macroeconomia I e Economia Monetária, disciplinas que formam as novas gerações de economistas moçambicanos.
O seu currículo inclui ainda funções de relevo no sector empresarial e académico, nomeadamente como presidente do Conselho de Administração (não executivo) da Fundação Universitária da UEM, consultor Económico/Financeiro Independente e Membro fundador, investigador e director Financeiro do CACEP. É autor e co-autor de vários artigos científicos, relatórios e reflexões sobre a economia moçambicana, o que lhe confere uma visão privilegiada sobre os desafios estruturais do país.
A gestora experiente que acompanhou a modernização do Metical
Nascida em Inhambane, em 1972, Benedita Maria Guimino é igualmente doutoranda em Economia, mestre em Economia do Desenvolvimento (2010) e licenciada em Economia (2001) pela Universidade Eduardo Mondlane. O seu percurso, no entanto, distingue-se pela forte componente operacional e administrativa dentro do Banco de Moçambique, onde é quadro desde 1999, quando foi admitida como técnica de Emissão e Circulação Monetária.
A sua carreira é marcada por uma ascensão consistente. Em 2019, foi nomeada administradora do Banco de Moçambique, tendo dirigido, cumulativamente, os pelouros de Serviços Administrativos e Património, e Serviços Financeiros e Recursos Humanos. De 2020 a 2022, passou a responder apenas pelo pelouro de Serviços Administrativos e Património e, actualmente, dirige o pelouro de Estabilidade Financeira, uma área sensível e prioritária para a solidez do sistema bancário nacional.
Antes da sua nomeação como administradora, Guimino foi directora do Departamento de Emissão e Tesouraria (2014 a 2018) e directora do Departamento de Sistemas de Pagamento (2018 a 2019), acumulando funções com o Departamento de Emissão de Moeda e o Departamento de Tesouraria. De 2006 a 2014, foi Assistente de Direcção da Divisão de Emissão e Circulação Monetária.
Em 2006, foi-lhe atribuído um Diploma de Mérito pelo seu papel na introdução da nova família do Metical, um processo que exigiu elevado rigor técnico e coordenação logística. Representou ainda o Banco de Moçambique como administradora não executiva da Sociedade Interbancária de Moçambique (SIMO), entre 2017 e 2018.
Navalha e Guimino herdam um Banco de Moçambique que atravessa um dos períodos mais exigentes da sua história recente. Do ponto de vista macroeconómico, recebem uma instituição sob pressão constante para conter a inflação e estabilizar o metical, num contexto de choques externos (preços das commodities, custos logísticos) e internos (défice orçamental, necessidade de financiamento da economia).
A herança inclui ainda uma enorme crise de divisas que está a estrangular a economia do sector produtivo, a dívida pública elevada que condiciona a margem de manobra da política monetária e um sistema financeiro que, embora resiliente, exige supervisão apertada para evitar riscos sistémicos. Além disso, herdam a expectativa dos mercados e dos parceiros internacionais por maior transparência e credibilidade, numa altura em que a confiança na banca central é um ativo tão valioso quanto as reservas internacionais que gerem.



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