Share this
A Resistência Nacional de Moçambique (RENAMO) exige um esclarecimento urgente sobre o assassinato do brigadeiro Pensado Alfinete, membro do partido e antigo combatente, morto a tiro na noite de quarta-feira, 16 de Setembro, na sua residência, em Inhaminga, distrito de Cheringoma, província de Sofala.
A perdiz diz estar preocupado com as circunstâncias que antecederam o homicídio, sobretudo pelo facto de Alfinete ter mantido um encontro com o comandante distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM) antes da sua morte. Segundo a RENAMO, um segundo encontro entre os dois teria sido marcado para o dia seguinte.
Em conferência de imprensa realizada esta Quirta-feira, em Maputo, o porta-voz da RENAMO, Marcial Macome, afirmou que o partido pretende que a PRM esclareça rapidamente o que terá acontecido e determine se existe alguma responsabilidade ou eventual envolvimento de agentes da corporação.
“Para evitar tais especulações, nós gostaríamos que a Polícia da República de Moçambique, primeiro, se pronunciasse para dar algum tipo de esclarecimento do que terá acontecido, do que está acontecendo, quais são os trabalhos em curso para a neutralização destes malfeitores”, declarou.
Macome afirmou que Alfinete havia sido convidado pelo actual comandante distrital de Inhaminga para um encontro, realizado antes do assassinato. Segundo o dirigente, após essa reunião, teria sido agendado um novo encontro para que o brigadeiro fosse apresentado aos restantes membros da corporação.
A RENAMO diz não ter, até ao momento, informações que permitam esclarecer a razão do dos encontros ou estabelecer uma relação entre estes e o homicídio. Por isso, Macome defendeu que as autoridades devem investigar o caso antes que sejam feitas conclusões precipitadas.
“Segundo, que se apure a responsabilidade e o possível envolvimento da polícia neste acto, sob pena de fazer julgamentos precipitados em torno desta matéria”, afirmou.
O partido também manifesta preocupação com a segurança de outros antigos combatentes da RENAMO. Macome afirmou que alguns desmobilizados estarão escondidos nas suas residências por receio de perseguições e advertiu que a falta de esclarecimentos poderá levar a reacções individuais.
“Ora, é do nosso interesse que estes casos, estes actos todos, sejam esclarecidos em tempo útil para evitar que as próprias vítimas accionem o seu mecanismo de autodefesa e de legítima defesa”, disse.
O porta-voz acrescentou que antigos elementos da força que Alfinete chegou a comandar poderão procurar esclarecimentos por iniciativa própria caso entendam que a sua segurança está ameaçada.
“Esta força, vendo o seu comandante assassinado de forma macabra, pode, tendo identificado, por exemplo, que antes do seu assassinato terá se encontrado com um agente da polícia que, no caso, até informação prove-se contrária, é o comandante distrital. Estes indivíduos podem, de forma individual, buscar esclarecimentos junto desta figura”, afirmou.
A RENAMO considera que o esclarecimento célere do crime é necessário para evitar uma escalada de tensão e garantir a segurança dos antigos combatentes e de outros membros do partido.
O assassinato de Alfinete ocorre poucos dias depois de a RENAMO ter condenado o rapto e assassinato de Ilídio Facitela Gustavo, mobilizador da ANAMOLA em Morrumbene, província de Inhambane. O partido enquadra os dois episódios numa preocupação mais ampla relacionada com a segurança de figuras e membros de forças políticas da oposição.
Macome afirmou ainda que a RENAMO possui um histórico de assassinatos de membros do partido cujos casos, segundo a sua avaliação, permanecem sem esclarecimento.
“Até então, a informação que nós temos, que nos parece uma informação preliminar, óbvia até então não contestada, é que há um acto contínuo de perseguição de membros da oposição”, declarou.
A RENAMO exige, por isso, um pronunciamento imediato da PRM e a identificação e responsabilização dos autores do homicídio nos termos da lei.



Facebook Comments