Emprego produtivo cresce, mas desemprego também aumenta no segundo trimestre de 2026

DESTAQUE ECONOMIA
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  • Índice fixou-se em 8,43%

O Índice de Emprego Produtivo (IEP) registou uma evolução positiva no segundo trimestre de 2026, passando de 28,01 para 30,37 pontos, o que corresponde a um crescimento de 8,43%, segundo dados apresentados pela Fundação para a Competitividade Empresarial (FUNDEC).

Evidências

Os dados foram divulgados esta semana, em Maputo, durante o lançamento da segunda edição do FUNDEC Economic Outlook, publicação que apresenta uma leitura sobre a evolução de diferentes indicadores da economia e do sector empresarial moçambicano.

De acordo com Cléusio Foia, economista da FUNDEC, a evolução do indicador acompanha a recuperação da actividade económica registada no segundo trimestre, período em que a economia apresentou um crescimento homólogo de 1,74%.

“Estamos a falar de cerca de 40 mil postos de emprego gerados” entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, afirmou Foia, salientando que a dinâmica do mercado de trabalho acompanhou a evolução da actividade económica.

Apesar do crescimento do número de postos de trabalho, a FUNDEC alerta que o mercado laboral continua a enfrentar fragilidades, sobretudo no que diz respeito à qualidade e produtividade do emprego.

Segundo a fundação, o aumento da ocupação não significa necessariamente uma expansão proporcional do emprego formal e produtivo. O mercado de trabalho continua marcado pela informalidade e por actividades sazonais, enquanto os níveis de produtividade permanecem abaixo do desejável.

A FUNDEC aponta ainda que a taxa de desemprego aumentou em 4,3%, sinalizando que a criação de novos postos de trabalho não tem acompanhado, na mesma proporção, o crescimento da população economicamente activa.

Para a fundação, emprego produtivo deve ser entendido para além da simples existência de uma ocupação, estando relacionado com a capacidade de gerar valor, elevar a produtividade das empresas, melhorar os rendimentos das famílias e fortalecer o mercado interno.

Além do IEP, a segunda edição do FUNDEC Economic Outlook apresentou o Rating Empresarial e Financeiro (REF), que passou de 38 para 42 pontos no segundo trimestre, representando uma evolução de cerca de 11%.

Divisas continuam um calcanhar de Aquiles

Foia explicou que a melhoria reflecte, entre outros factores, uma recuperação das condições de funcionamento das empresas face às dificuldades registadas no início do ano, incluindo os efeitos das enxurradas e a escassez de divisas.

Embora reconheça alguma melhoria no acesso às divisas, a FUNDEC considera que o acesso continua racionado e constitui um dos principais constrangimentos para o sector empresarial.

“É, de facto, um problema terrível, esse do acesso às divisas”, afirmou o economista, explicando que algumas empresas têm procurado renegociar condições com fornecedores estrangeiros para manter as suas operações.

Segundo Foia, a escassez de divisas já levou algumas empresas a enfrentar dificuldades severas, incluindo casos de encerramento, embora tenha havido uma melhoria da situação quando comparada com o primeiro trimestre de 2026.

No Índice de Competitividade Empresarial de Moçambique (ICEM), a FUNDEC registou igualmente uma evolução positiva. O indicador, de periodicidade semestral, passou de 26,43 pontos no segundo semestre de 2025 para 36,3 pontos no primeiro semestre de 2026, representando uma subida de 37,4%.

Apesar da melhoria global da competitividade empresarial, a indústria transformadora continua a apresentar uma trajectória de regressão, situação considerada preocupante pela FUNDEC devido ao papel da industrialização na transformação estrutural da economia.

“Se nós queremos naturalmente ter uma economia competitiva, temos de transformar a nossa economia numa economia com base de industrialização”, defendeu Foia.

A segunda edição do FUNDEC Economic Outlook inclui ainda um estudo sobre o impacto da inteligência artificial na competitividade empresarial em Moçambique. A análise procura avaliar de que forma a adopção de novas tecnologias pode contribuir para a modernização dos processos, aumento da produtividade e melhoria da capacidade das empresas moçambicanas de competir nos mercados nacional, regional e internacional.

Segundo a FUNDEC, a inteligência artificial poderá desempenhar um papel crescente na transformação dos processos empresariais, num contexto em que Moçambique procura acelerar a transformação digital e melhorar a eficiência da sua economia.

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