Parruque desafia futuros agentes a combater corrupção na Matola

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O presidente do Conselho Municipal da Matola, Júlio Parruque, exigiu o fim das práticas de corrupção, cobranças ilícitas e compadrio envolvendo agentes da Polícia Municipal, sobretudo nas estradas, onde se multiplicam queixas de automobilistas e transportadores semicolectivos de passageiros. O edil defende uma mudança profunda na actuação da corporação, de modo a recuperar a confiança dos munícipes e garantir uma fiscalização assente na legalidade, honestidade e respeito pelos cidadãos.

Parruque falava esta quarta-feira (04), na Escola Prática da Polícia, em Matalane, distrito de Marracuene, província de Maputo, durante a cerimónia oficial de lançamento do V Curso de Formação da Polícia Municipal da Matola, que conta com 150 instruendos seleccionados entre mais de 10 mil candidatos.

Na ocasião, o edil reconheceu que a imagem da Polícia Municipal tem sido afectada por comportamentos reprováveis de alguns agentes, associados a cobranças ilícitas, corrupção, favorecimento e falta de sensibilidade no atendimento aos munícipes.

“Não queremos mais que a Polícia Municipal seja o rosto do mau serviço municipal (…) o rosto da corrupção”, declarou Parruque, sublinhando que os novos agentes devem representar uma ruptura com as práticas que comprometem a credibilidade da corporação.

Segundo o autarca, são frequentes as reclamações relacionadas com a actuação de agentes municipais, particularmente no relacionamento com os operadores de transporte semicolectivo de passageiros, situação que considera incompatível com a missão de garantir a ordem, a segurança e a tranquilidade públicas.

Parruque advertiu que a entrada de novos efectivos deve traduzir-se numa mudança de comportamento e não apenas no reforço numérico da corporação. Para o edil, a Polícia Municipal deve assumir-se como uma instituição de proximidade, comprometida com a defesa dos interesses dos cidadãos, sem espaço para relações de favorecimento ou obtenção de benefícios pessoais.

“É possível termos uma polícia que viva honestamente. É possível termos uma polícia que esteja do lado do município”, afirmou, insistindo que a função policial exige disciplina, responsabilidade e compromisso com o serviço público.

O presidente do Município da Matola apelou igualmente aos futuros agentes para que não encarem a carreira policial apenas como uma oportunidade de emprego e estabilidade financeira, mas como uma missão que exige integridade e dedicação permanente aos interesses da população.

Nesse contexto, chamou a atenção para a necessidade de combater a fuga de receitas municipais, defendendo que todos os valores resultantes da fiscalização e de outras actividades legalmente previstas devem ser canalizados para os cofres da autarquia.

Mais de 10 mil candidatos disputaram 150 vagas

Durante a intervenção, Júlio Parruque revelou que o concurso público lançado a 25 de Agosto de 2025 atraiu 10.558 candidatos, dos quais foram inicialmente apurados 200, tendo sido seleccionados 150 para integrar o novo curso de formação.

O autarca considerou que a elevada procura demonstra, por um lado, as dificuldades de acesso ao emprego enfrentadas pela juventude e, por outro, o interesse dos jovens em integrar a Polícia Municipal.

“Seleccionámos 150. Não queremos arrepender-nos. Queremos sentir que fizemos a melhor escolha”, advertiu Parruque, acrescentando que os formandos devem estar conscientes da exigência e responsabilidade da missão que pretendem assumir.

O processo formativo começou a 8 de Setembro de 2026, com uma componente centrada nas posturas municipais, transitando agora para a formação técnico-policial na Escola Prática da Polícia, em Matalane.

Os futuros agentes serão preparados para actuar em diferentes áreas, com destaque para a organização do trânsito, fiscalização das actividades económicas, controlo das obras de construção, ocupação dos espaços públicos e cumprimento das posturas municipais.

Por sua vez, a adjunta-comissária da Polícia da República de Moçambique (PRM), Lurdes Espada, assegurou que a formação será conduzida com elevados padrões de rigor técnico, disciplinar e ético, procurando preparar profissionais capazes de responder às exigências da segurança e fiscalização municipais.

Segundo explicou, o programa contempla disciplinas como Ordem Unida, Armamento e Tiro, Preparação Física, Defesa Pessoal, Procedimentos Policiais, Direitos Humanos, Direito Constitucional, Direito Penal e Processual Penal, Investigação Criminal, Ética e Polícia Administrativa Aplicada.

A responsável destacou que a instituição pretende formar não apenas agentes tecnicamente preparados, mas também cidadãos conscientes das suas responsabilidades perante a sociedade, comprometidos com a protecção dos direitos fundamentais.

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