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- Apesar do decreto de suspensão por 90 dias, exploração de ouro continua
Em Manica, a inércia administrativa e a ganância económica criaram uma zona cinzenta onde a lei é abertamente desafiada. Depois de o Governo ter emitido um decreto de suspensão que visava paralisar todas as actividades mineiras na região, por conta da grave poluição dos rios locais, a realidade no terreno revela um cenário de total desobediência. Os garimpeiros continuam a trabalhar com normalidade, ignorando a orientação do Governo central, os perigos ambientais e de segurança que daí decorrem.
Evidências
Garimpeiros artesanais e grupos organizados continuam a trabalhar com normalidade, desrespeitando as questões de segurança e agravando a contaminação hídrica em Manica, segundo mostrou, semana finda, uma reportagem da STV, assinada pelo jornalista Carlitos Cadangue.
A situação é agravada por alegações persistentes de proteccionismo e apadrinhamento de alguns dirigentes ao mais alto nível na província, que estariam a permitir a exploração de ouro livremente, criando um ambiente de impunidade que enfraquece a fiscalização.
O principal motor para a desobediência é o elevado valor de mercado do ouro. A escalada de preços transformou a região num pólo de atracção frenético. O quilograma de ouro, que há apenas algumas semanas era vendido por sete milhões de meticais, disparou recentemente para 7 milhões e 500 mil meticais. Este preço recorde atrai, diariamente, dezenas de indivíduos, incluindo cidadãos nacionais e pessoas provenientes de vários países, como a África do Sul, o que confirma a alta produtividade da zona.
A verdade é que todas as actividades mineiras deveriam estar paralisadas, como decretou o Governo ao mais alto nível, mas não. A utilização de equipamento pesado levanta a suspeita de que empresas, ou grupos detentores de grande capital, possam estar a utilizar os garimpeiros como fachada, através da alocação de máquinas, para contornar a lei.
A questão central reside, contudo, na inércia da fiscalização. Apesar de o Governo ter indicado o Ministério da Defesa e outras entidades para, de forma colectiva, fazerem o processo de fiscalização, a actividade extractiva persiste.



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