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A Igreja Metodista Global realizou, na semana passada, a sua terceira acção solidária de apoio às vítimas das inundações no distrito de KaMavota, na cidade de Maputo. A iniciativa levou mais de duas toneladas de alimentos e produtos essenciais a famílias que continuam a enfrentar dificuldades na sequência das chuvas intensas que marcaram o início do ano. “É fundamental repartir o pão, criar abrigo para quem não tem e aprender a ver o outro como criatura de Deus. Se eu preciso, é porque ele também precisa”, afirmou o reverendo pastor Zaqueu Rachanze, líder da Igreja Metodista Global em Moçambique.
Evidências
A comitiva da Igreja foi recebida nas instalações da Administração Distrital de KaMavota por Lomelino Mário Matavele, em representação da edilidade. Posteriormente, deslocou-se às zonas de acomodação temporária, onde vivem famílias afectadas pelas cheias, para proceder à entrega de donativos e partilhar palavras de conforto. Durante as visitas, houve também momentos de oração e de escuta às preocupações das pessoas acolhidas.
O gesto abrangeu três lugares, nomeadamente os municípios da Matola, Marracuene e o distrito municipal de KaMavota, no município da cidade de Maputo. Nos locais visitados, a Igreja teve oportunidade de conhecer de perto as condições nos centros de acolhimento e de reforçar a assistência humanitária. Parte dos produtos foi entregue directamente aos centros e outra parte ficou sob gestão local para distribuição equilibrada entre as famílias.
Nos municípios da Matola e Marracuene foram distribuídos mil quilogramas de farinha de milho, 100 litros de óleo de cozinha, 100 quilogramas de feijão, 100 quilogramas de açúcar, 100 barras de sabão, 86 quilogramas de detergente e uma caixa com pequenas embalagens alimentares. O mesmo gesto foi repetido, em quase as mesmas quantidades, no distrito de KaMavota.
Durante a visita, Matavele explicou que as chuvas obrigaram à abertura de 11 centros de acomodação temporária, distribuídos pelos bairros Unidade A e B, Mahotas, 3 de Fevereiro, Ferroviário, Costa do Sol e FPLM.
“Neste momento conseguimos reduzir para cinco centros de acomodação, com cerca de 700 pessoas ainda acolhidas. Esperamos que, nos próximos dias, possamos encerrar mais alguns”, disse.
Segundo o dirigente, dois dos centros localizados nos bairros Unidade B e Mahotas permanecem activos há mais de três anos, o que revela a complexidade do processo de reassentamento.
“O nosso maior desafio é garantir condições para que as famílias regressem com segurança às suas casas ou sejam reassentadas em locais seguros. Mesmo com o trabalho de drenagem e bombeamento das águas, os resultados não são imediatos”, explicou.
A mobilização comunitária tem sido uma das principais estratégias. Segundo explicou, os comités locais de gestão de risco, juntamente com secretários de bairro e chefes de quarteirão, têm desempenhado um papel importante na sensibilização das populações.
“Estamos a trabalhar com as comunidades para que famílias que vivem em zonas de risco, como áreas próximas à praia, zonas de pescadores e bacias de drenagem, procurem locais mais seguros durante a época chuvosa”, acrescentou.
O reverendo Zaqueu Rachanze fez também um balanço das três acções solidárias já realizadas. “Começámos pelo município da Matola, depois Marracuene, e hoje estamos em KaMavota. O sofrimento das pessoas é visível, mas também é visível o esforço do Governo. Fazem o máximo possível, mas as necessidades são muitas”, afirmou.
Sobre a origem dos donativos, explicou que tudo resulta da solidariedade dos membros da Igreja e de parceiros. “Os membros não dão porque têm em abundância, mas porque sentem a necessidade de ajudar. Tiramos do pouco que temos para apoiar quem precisa ainda mais”, enfatizou.
Por fim, deixou uma mensagem de união e esperança. “Queremos construir um país de irmandade e amor ao próximo. Devemos viver em harmonia e ensinar às crianças o valor da solidariedade, porque o egoísmo tem crescido. Repartir o pão e ajudar quem precisa é um dever de todos”, concluiu.
A acção solidária reforça a cooperação entre Igreja, Governo e comunidade, demonstrando que, mesmo em contextos difíceis, o espírito de entreajuda pode aliviar o sofrimento das famílias afectadas pelas cheias. Referir que no município da Matola, a igreja foi recebida pelo Presidente do Conselho Municipal, Júlio Parruque.



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