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Mulheres de todas as províncias do país entregaram, esta sexta-feira, à Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo (COTE) um documento contendo propostas para a reforma do Estado, elaborado no âmbito da iniciativa “As Caras e Vozes das Mulheres Contam”. O documento resulta de um amplo processo de auscultação e co-construção realizado em todo o país e pretende garantir que as reformas institucionais em curso integrem uma abordagem de género e considerem as preocupações, experiências e recomendações de mulheres de diferentes sectores da sociedade.
Edmilson Mate
O processo envolveu mulheres camponesas, trabalhadoras do sector informal e representantes do sector privado, assegurando que vozes historicamente marginalizadas sejam ouvidas e integradas nas decisões sobre o futuro do Estado moçambicano.
Durante o acto de entrega, a presidente do Fórum Mulher, Rafa Machava, apelou à Comissão Técnica para que valorize e dê seguimento às propostas apresentadas:
“Nós, as mulheres moçambicanas, estamos nas mãos da COTE. Por favor, não nos desiludam. Fizemos um grande esforço para produzir o documento que hoje entregamos. Portanto, estamos nas vossas mãos”, sublinhou Rafa.
Segundo ela, o documento representa a esperança de milhares de mulheres que participaram no processo e que desejam ver as suas vozes reflectidas nas reformas do Estado.
O presidente da COTE, Edson Macuácua, respondeu assumindo o compromisso de analisar e sistematizar cuidadosamente as contribuições recebidas, articulando-as com outras propostas da sociedade civil. Ele anunciou que os resultados seriam transformados em propostas submetidas a audições públicas à escala nacional.
“A Comissão Técnica fará o melhor aproveitamento possível destas ricas contribuições. Estamos satisfeitos por constatar que resultam de um amplo exercício de cidadania inclusiva”, afirmou.
Macuácua destacou ainda o papel das organizações parceiras, lembrando que, sem o apoio destas entidades, muitas mulheres não teriam conseguido fazer ouvir a sua voz no diálogo nacional.
As organizações envolvidas, entre elas o CESC e o Fórum Mulher, afirmaram que iriam acompanhar de perto a implementação das recomendações. Apesar de reconhecerem que a reforma do Estado é um processo longo e complexo, defendem que o acompanhamento cívico é importante para assegurar que o diálogo nacional contribua para a construção de um Moçambique mais inclusivo e justo.



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