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A paragem da fundição de alumínio Mozal, está a provocar um choque nas cadeias de abastecimento internacionais, retirando a Europa cerca de um quinto (20%) das suas importações de alumínio em estado bruto. Segundo dados do Eurostat, a unidade era um pilar central para o mercado europeu, que agora enfrenta uma quebra súbita na oferta num momento em que os preços internacionais do metal atingem máximos de 2022. O encerramento, confirmado pela South32, deve-se à incapacidade de assegurar um contrato de energia eléctrica a preços competitivos, pondo fim a 25 anos de operação contínua.
Para Moçambique, o impacto macroeconómico é profundo: a Mozal representa cerca de 20% das receitas de exportação do país e contribui com 2% para o Produto Interno Bruto (PIB). A suspensão das actividades agrava a vulnerabilidade externa do país e expõe a dependência crítica de indústrias electro-intensivas em relação a tarifas energéticas preferenciais. O fornecimento, garantido pela sul-africana Eskom com energia proveniente da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, tornou-se financeiramente insustentável perante a actual crise energética regional.
Este cenário de desindustrialização não é exclusivo de Moçambique. Na vizinha África do Sul, os elevados custos de energia já ditaram o encerramento de 55 das 66 fundições anteriormente activas, restando agora apenas 11 em operação. A crise na Mozal acentua esta tendência estrutural de retracção da capacidade produtiva na África Austral, redireccionando matérias-primas, como a alumina australiana que antes abastecia a fábrica de Maputo, para outros mercados com preços indexados.
Com o mercado global já sob pressão e outras unidades de grande escala a enfrentarem dificuldades operacionais, a paragem da Mozal reforça a volatilidade dos preços do alumínio e a competição internacional por matérias-primas estratégicas. Para o Governo moçambicano, o episódio sublinha o desafio urgente de criar condições energéticas estáveis para sustentar grandes projectos industriais e manter o país integrado nas cadeias globais de valor.



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