Share this
Num contexto em que a competitividade dos portos é cada vez mais determinada pela eficiência, rapidez de processamento e integração dos sistemas logísticos, o Porto de Maputo está a acelerar a digitalização dos seus processos de gestão e operação, com vista à redução de procedimentos manuais e ao aumento da produtividade.
A aposta insere-se num processo contínuo de modernização do Porto de Maputo, que tem vindo a incorporar soluções digitais ao longo dos últimos anos, e ganha novo impulso com o ciclo adicional de investimentos associado à extensão do contrato de concessão até 2058, que prevê a expansão da capacidade, modernização de equipamentos e adopção de sistemas mais avançados de gestão operacional.
“Estamos num processo de transformação digital. Começou em 2012, mas ainda estamos nesse processo”, referiu a gestora de Melhoria Contínua, Ana Neves, acrescentando que “o objectivo passa por eliminar, sempre que possível, a intervenção manual, com ganhos directos na eficiência e no tempo de resposta”.

Actualmente, a maior parte dos processos já decorre em ambiente digital. “Quando o camião chega ao porto, já não está sujeito a nenhum registo manual no portão. É tudo com base num ‘tablet’ e num clique”, explicou.
“Assim que chega ao portão, a segurança só confirma a matrícula e o camião segue para a báscula para a pesagem, para confirmar a carga que estamos a receber”, acrescentou, sublinhando que a introdução prévia de informação no sistema permite reduzir tempos de espera e simplificar a tramitação.
As operações de pesagem seguem a mesma lógica, com básculas automatizadas e monitoria a partir de um centro de controlo, dispensando intervenção humana directa. “A eliminação do papel tem contribuído grandemente para o aumento da eficiência”, destacou.
Paralelamente, estão em curso investimentos em equipamentos e infra-estruturas que reforçam esta trajectória, incluindo a reorganização de espaços operacionais para melhorar a circulação e flexibilidade logística. “É necessário que haja uma aceleração da digitalização dos processos”, sublinhou.
A responsável defende que estes ganhos poderão ser ampliados com a adopção de soluções digitais por todas as entidades que operam no Corredor de Desenvolvimento de Maputo.
“Se eu chegar atrás de vários camiões num processo manual, posso passar duas horas à espera”, exemplificou, referindo-se a constrangimentos ainda existentes em alguns pontos da cadeia logística.
Neste contexto, o Porto de Maputo propôs a criação de uma equipa de coordenação do corredor, envolvendo diferentes intervenientes, com o objectivo de reforçar a monitoria das operações.
“Fizemos uma proposta que ainda está em avaliação, para o estabelecimento de uma equipa de coordenação do corredor, de modo que consigamos monitorar as operações”, afirmou.
“Facilmente, conseguiremos ver quem precisa de apoio e concentrarmo-nos nessa entidade”, acrescentou, explicando que a monitoria permitirá identificar disfunções e melhorar o desempenho global da cadeia logística.
Neves indicou ainda que já foram elaborados documentos com directrizes e indicadores de desempenho para as entidades que operam no Corredor de Desenvolvimento de Maputo.



Facebook Comments