Eni abre corrida internacional para instalar nova plataforma flutuante em Cabo Delgado

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O consórcio Mozambique Rovuma Venture (MRV), operado pela petrolífera italiana Eni, deu o pontapé de saída para uma nova e ambiciosa fase de investimentos no Norte do País ao lançar um concurso internacional voltado para a engenharia e construção da sua terceira unidade flutuante de produção de gás natural liquefeito (FLNG). A infra-estrutura será instalada na Área 4 da bacia do Rovuma, em pleno alto mar na província de Cabo Delgado. A nova plataforma terá uma dimensão massiva, sendo desenhada para processar e exportar até 6 milhões de toneladas de combustível por ano.

As empresas interessadas em garantir este contrato global, que cobre desde o desenho de engenharia, aquisição de equipamentos, fabrico, transporte até à amarração definitiva e testes operacionais, têm até ao dia 03 de Julho para submeter as suas manifestações de interesse. O caderno de encargos do regulador é exigente, estipulando que os concorrentes devem provar solidez financeira e um histórico robusto de projectos offshore de grande complexidade implementados nos últimos dez anos, uma vez que a futura plataforma operará ancorada em águas ultraprofundas que alcançam os 2 mil metros.

Este passo estratégico surge na esteira do sucesso comercial alcançado pela plataforma Coral Sul, que retira gás das profundezas do Rovuma desde 2022 com um ritmo de 3,4 milhões de toneladas anuais. A Eni já tinha sinalizado em Maio o forte interesse em replicar esta tecnologia flutuante numa terceira rota, mesmo com o avanço em paralelo da Coral Norte, um megaprojecto de 7,2 mil milhões de dólares que prevê iniciar a produção em 2028 e que irá duplicar os volumes extraídos na Área 4. De acordo com as projecções da direcção executiva da multinacional italiana, a entrada em cena destes activos tecnológicos vai carimbar a ascensão de Moçambique ao restrito pódio dos três maiores produtores de gás natural liquefeito do continente africano, ficando posicionado logo a seguir à Nigéria e à Algéria.

O consórcio da Área 4 junta a Eni, a estatal Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), os chineses da CNPC, os sul-coreanos da Kogas e os árabes da XRG. O avanço para esta terceira plataforma flutuante reforça o dinamismo do sector extractivo moçambicano, que caminha lado a lado com os desenvolvimentos em terra e mar dos projectos Mozambique LNG, sob a tutela da francesa TotalEnergies, e Rovuma LNG, liderado pela norte-americana ExxonMobil.

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