Nyusi sobre a corrupção em Moçambique: “o país não pode ser governado de forma sazonal”

DESTAQUE POLÍTICA

De acordo com Índice de Transparência Global de 2020, Moçambique continua na lista dos países mais corruptos do mundo. Na última actualização perdeu um ponto, passando de 26 para 25, e caiu três posições, da 146ª  para 149ª.  Reconhecendo a corrupção que abunda na perola do indico, o Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, defendeu que se deve combater a corrupção com mais vigor, tendo desafiado aos gestores para não temerem as auditorias.

Na abertura do primeiro Conselho Nacional de Coordenação entre os Órgãos de Governação Descentralizada e sectores do Governo central, numa altura em que decorre o maior escândalo da corrupção da história do país, o Chefe de Estado convidou aos secretários de Estado, governadores de província e presidentes das autarquias para serem exemplos no combate contra este fenômeno que ano pôs ano tem lesado sobremaneira os cofres do Estado.

Na sua intervenção, Filipe Jacinto Nyusi, fez o balanço de 2020, onde constatou-se que houve uma subida de 300 processos, visto que foram instaurados mais de 1200 processos aos funcionários de Estado nos casos de corrupção activa. Com vista a combater este fenômeno, Nyusi instou os órgãos de governação descentralizada para estarem abertos a auditorias e maior transparência no seu trabalho.

“Fico muito preocupado quando são acusados edis, diretores. Em alguns casos fica claro que se trata de falta de procedimentos, ausência de supervisão, fiscalização ou contratos mal elaborados. Alguns são mesmo mal elaborados, mas outros são viciados”, diz o Estadista, acrescentando que “não tenham medo das auditorias, nem que sejam internas. Não tenham medo da fiscalização. Você dorme tranquilo quando percebe que há quem veio à tua casa, vasculhou e viu que está limpa. Você dorme tranquilo”.

Naquele evento cujo o lema foi “Por uma Governação Local Coordenada ao Serviço do Cidadão”, o Presidente da República mostrou desagradado por Moçambique continuar a ser falado pelas piores razões na arena internacional.  “Não podemos assistir passivamente a nossa província e o nosso país a serem catalogados como terra de corruptos”.

No que respeita ao mapa das províncias mais corruptas do país, Nampula lidera confortavelmente, uma vez que é a província com mais processos de corrupção contra aos funcionários públicos. A Cidade e Província de Maputo completam o pódio das províncias mais corruptas de Moçambique.

Pela positiva, por terem registado menos processos ligados à corrupção no exercício do ano passado, destacaram-se as províncias de Gaza, Zambézia e Tete.

No Índice de Transparência Global relativo ao ano passado, Moçambique continua na lista dos países mais corruptos do mundo. Para o Chefe do Estado está má fama contribui para descredibilização e retarda desenvolvimento do país. “Vamos trabalhar! Se cada um fizer um pouco só, vamos virar isso. A corrupção é uma doença que tem corroído a nossa sociedade e retarda o desenvolvimento do nosso país”.

Numa altura em que se questiona o modelo da governação descentralizada, Nyusi lançou duras críticas aos órgãos de governação descentralizada, tendo declarado que em vez de questionar devem se preocupar em resolver os problemas que inquietam a população.

“É assim como as coisas começam. Começam assim e é assim como as coisas crescem. Vocês têm a sorte de ser os pioneiros neste processo. O vosso orgulho será deixar marcas. Ao invés de estarem a questionar, resolvam as preocupações”, afirmou Nyusi para depois acrescentar que “a descentralização não é o remédio para todos os males da Administração Pública… o país não pode ser governado de forma sazonal”.

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