Obrigado a todos!

DESTAQUE EDITORIAL

O leitor teve, esta semana, em mão a última edição imprensa do Jornal Evidências para 2021. Depois de muita preparação e misto de sentimentos de receio e hesitação, na última semana de Janeiro, ousamos assumir os nossos sonhos, de recusar a passividade e ser parte de actores que consolidam a democracia e a unidade nacional, através de promoção de espaço onde as ideias não têm cor e a sua diversidade é um pequeno jardim, a ser continuamente regado, rumo à construção de uma Nação de Todos.

Nessa etapa da nossa marcha, mostramos com coragem, que é própria da juventude, que o país não está bom e a juventude não pode e nem podia ser cúmplice desse desnorte, mantendo-se no silêncio ou adulando os dirigentes enquanto conduzem-nos para o mato. Mostramos que era preciso, sem julgamentos, apontar o dedo nos culpados e despertar a sociedade da passividade, devolvendo o sentido de pertença da pátria, numa mensagem de que este país é de todos e cabe a todos lutar por ele e não confiar cegamente nos que falam de sonhos e discursam à esquerda, enquanto à direita a devoram, incansavelmente, com dolo, roubando qualquer esperança de realização, até às gerações que ainda estão por vir.

Fomos fervorosamente combatidos, conotados e intimidados por grupos que, equivocamente, não acreditam na juventude com mentalidade própria e com uma visão de velar pelo bem colectivo, depois de manipular uma minoria que esquece que a idade são números que não param de contar e, depois dessa, existem outras gerações que precisam encontrar um Moçambique próspero e em paz.

Quando desenhamos o projecto queríamos ser um jornal que não representa interesses de grupos, nem políticos, nem económicos e até de forças da sociedade civil. Hoje, podemos não só dizer que é possível, como também testemunharmos que conseguimos. Mantemos o posicionamento e validamos a nossa independência.

Mas a maior decepção foi conhecer o culpado, que é aquele que um dia foi jovem e na flor da idade colocou a pátria em primeiro e lutou pela sua libertação, mas hoje desistiu ou não resistiu a tentação de recorrer à política para se servir. As ameaças, intimidações e conotações, neste Moçambique de democracia de fachada, são acidentes da jornada, que deixaram feridas que hoje são curadas pelos nossos leitores, que nos encorajam e é assim que fomos descobrindo que, afinal, fazíamos falta ao país, ao complementarmos os esforços de colegas e da sociedade civil que lutam incansavelmente pela defesa dos nobres interesses colectivos. Apontamos o dedo para corrigir, não para condenar.

O país não está bom, e fora do discurso político há pouca vontade de concertação. Os números não mentem, na educação primária, 95,3 por cento sai sem as competências requeridas. Na distribuição de riquezas, 10% da população concentra 43,1% da economia, enquanto outros 10% da população mais pobre disputa 0,8%. Pior do que isso, para 2022, o governo decidiu diminuir em cerca de 30 por cento o orçamento para Protecção Social, ampliando a desigualdade e agravando a pobreza dos mais marginalizados, na sua maioria amparados no comércio informal, que neste ano, depois de prejudicados pelas medidas de contenção da propagação da Covid -19, enfrentam a polícia camararia, que rouba dos mais pobres. Mas o orçamento na guerra está a duplicar, e o argumento é sempre legitimo.

Os que nos olham de fora dizem, no relatório de Desenvolvimento Humano, que somos o “pior” país da língua portuguesa, em termos de Direitos Humanos, caímos para “reprimido”, e em termos de governação somos conotados à uma democracia “ditatorial”. Isto equivale dizer que estamos a afundar, e não que o país está a ser combatido, só porque alguém ousou apontar os nossos erros e o caminho que estes nos conduzem. Acreditamos no nosso país, mas a sua direcção já demonstrou a sua incapacidade e, quando criticada, vitimiza-se. Alguns, habituados a serem dados palmadinhas nas costas, acusaram-nos de estarmos a combatê-los e nos inventaram agendas, mas a nossa única agenda é a verdade, o jornalismo e a independência.

Conseguimos chegar semanalmente aos leitores, na plataforma imprensa, graças a uma equipa de jovens que garante excelência em toda cadeia de produção do jornal e de amigos que acreditaram em nós desde a primeira edição. Apesar do espaço não ser suficiente, alguns não podemos deixar de citar, é o caso de Afonso Brandão, Luca Bussoti, Teodósio Camilo, entre outros, que completavam os esforços da prestimosa colaboração de jovens que semana sim, e semana sim, fazem o jornal chegar ao leitor.

A um amigo especial que, sem medir esforços e sem pensar em ganhos, acolheu este sonho e deu-nos o rastilho que acendeu este fogo que arde intensamente, vai o nosso obrigado. Há dívidas que não se pagam nem em 20 vidas.

Aos nossos leitores, estaremos juntos noutras plataformas, enquanto melhoramos a versão imprensa, que volta às ruas nas próximas quatro semanas, com melhor visual. Reiteramos, os que lutaram por esse país, apelamos, humildemente, que façam valer o vosso sacrifício, não desistam de Moçambique, e a todos que nos lêem, assumam o sentido de pertença, não há um outro moçambicano com capacidades extraordinárias para nos devolver o rumo. Quem hoje nos combate, nós é que lhe demos o poder. Não existe amanhã sem hoje!

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