Filho do Presidente provoca acidente e abandona sinistrado

SOCIEDADE
  • Florindo Nyusi cometeu infracção e não parou para prestar socorro à vítima
  • Em condições normais incorre a uma pena de dois a oito anos de prisão

O filho do Presidente da República, Florindo Nyusi, conhecido pelo seu gosto por viaturas de luxo e de alta cilindrada, envolveu-se, na madrugada da quinta-feira da semana finda, num aparatoso acidente de viação, que por pouco tirava a vida de um funcionário sénior do grupo MediaCoop, a contar pelo estado em que ficou a viatura em que seguia. O acidente terá sido causado por um corte de prioridade por parte do filho do Presidente que, como é de praxe, circulava a alta velocidade num dos seus “brinquedos”.

Evidências

É o filho mais famoso do Presidente Filipe Nyusi, não por acções ou contributo para o país, mas sim pela forma como leva a sua vida nocturna, os recorrentes escândalos e a sua paixão por carros de luxo e viagens pelo mundo, onde de vez em quando pousa com estrelas de cinema, música e desporto à escala planetária.

Na madrugada da última quinta-feira, um pai de família que acabava de despegar do seu local de trabalho quase perdeu a vida quando cruzou o caminho de um dos filhos mais mimados do país. Com sua viatura de alta cilindrada, o filho do Presidente da República cortou prioridade a Miguel Bila, colaborador do semanário Savana, que só escapou com vida porque os deuses assim o quiseram.

O acidente causado por um corte de prioridade teve lugar no cruzamento entre a Avenida Joaquim Chissano e a Rua da Resistência, quando em alta velocidade a viatura de Florindo Nyusi cortou prioridade a do funcionário do Savana, que capotou logo a seguir.

Mesmo diante de tão aparatoso acidente, Florindo Nyusi não se dignou a parar para prestar socorro ao sinistrado, tendo desaparecido a alta velocidade. E porque estava envolvida uma viatura com sistema de alerta em casos de acidentes, imediatamente, a polícia, os bombeiros e uma equipa médica com ambulância fizeram-se ao local.

De acordo com as alíneas a e b) do número 1 do artigo 154 do Código de Estradas, que postula sobre o “Abandono de sinistrados”, os condutores que abandonem voluntariamente as pessoas vítimas dos acidentes que tenham causado, total ou parcialmente, serão punidos: a) Com prisão e multa até dois anos, graduada em função do perigo sofrido pela vítima, perante a gravidade das lesões e a dificuldade de obter socorros, quando da omissão não resultar agravamento do mal ou resultar agravamento que não tenha como efeito a morte do sinistrado. Havendo agravamento, é este tomado em conta na graduação da pena;

Na alínea c) a lei dispõe que será punido com prisão maior de dois anos a oito anos por omissão quando o abandono ocorrer já depois de o condutor se ter certificado dos seus prováveis resultados, aceitando-os ou considerando-os indiferentes.

Já o número 4 do mesmo artigo postula que a falta de prestação de socorros, por negligência, é punida com prisão até um ano, de acordo com o grau de culpa do agente e os resultados da omissão. Evidências sabe que foi aberta uma queixa crime na 5ª esquadra, mas há diligências em curso para se abafar o caso, enquanto se resolve o caso de forma amigável com a vítima.

De acordo com a Constituição da República, embora o Presidente da República tenha imunidade, os seus filhos não têm, e em condições normais e num país normal, Florindo Nyusi se arriscava a ir a cadeia ou pagar multa correspondente, por provocar acidente e depois abandonar o sinistrado.

Vida faustosa e vários escândalos na sua vida nocturna

Desde o início da governação do pai, quando ainda era só um jovem saído da adolescência, Florindo Nyusi exibiu uma vida faustosa, ostentando uma riqueza de origem inexplicável, contudo, com o decorrer dos julgamentos dos processos das dívidas ocultas (em Nova York e Maputo), ficou-se a saber que recebeu alguns presentinhos do Tio Rosário.

Aliás num dos emails supostamente por si enviados, o jovem chega a dar especificações técnicas de um dos carros que esperava receber directamente dos caridosos “tios” de Abu Dhabi.

No país, Florindo começou a ser conhecido em 2016, quando começou a fazer circular altas máquinas na cidade das acácias e quando foi proibido de frequentar o recinto do autódromo da ATC Moçambique devido a má conduta. Segundo avançou, na altura, a direcção da ATCM, Florido não respeitava os funcionários daquela instituição.

“Boa Tarde, gostaríamos de informar que o Sr. Florindo, filho de Sua Excelência Presidente Nyusi, está proibido de entrar no recinto do autódromo do ATCM Moçambique, devido a sua conduta constante de INDISCIPLINA e falta de respeito com os trabalhadores do ATCM Moçambique! Sempre rodeado dos seus Seguranças acha que pode fazer o que lhe bem apetece. Neste recinto, não é bem vindo. Obrigado”, escreveu na altura o ATCM na sua página do facebook.

Em 2018, foi pivot de uma potencial crise diplomática com o Estado sul-africano por ter se envolvido numa briga num bar na África do Sul. Florindo Filipe Nyusi e a sua segurança atacaram violentamente um jovem de nome Amogebalang Manganyi, filho do director provincial de Gauteng e membro sénior do ANC, num incidente ocorrido em Sandton, norte de Joanesburgo.

Na altura, o semanário Sunday World escreveu que, num estilo autoritário, Florindo Nyusi partiu o telefone de Manganyi num restaurante de luxo e depois ameaçou explodir o cérebro” da vítima com arma de fogo. Nas semanas seguintes, a polícia sul-africana investigou o caso e diplomatas nacionais tentaram minimizar impacto do assunto.

Já em Abril de 2019, o jovem voltou a estar famoso, não pelos seus carros, mas porque novamente envolveu-se numa briga numa casa nocturna e seus oponentes tiveram a casa cercada por militares no dia seguinte, ou seja, a força letal do Estado foi mobilizada para entrar numa briga do “Principe” da Ponta Vermelha.