Frelimo adia a reunião de avaliação do desempenho de Eneas Comiche

DESTAQUE POLÍTICA
  • Em meio a desilusão dos munícipes com a governação municipal

O partido Frelimo, na cidade de Maputo, adiou à última hora, no último Sábado, a realização da reunião de avaliação do desempenho dos órgãos autárquicos neste ponto do país, curiosamente numa altura em que os munícipes mostram-se desiludidos com a governação autárquica do município dirigido por Eneas Comiche, que para além de não estar a cumprir com a promessa eleitoral de Txunar Maputo, bairro a bairro, tem estado numa verdadeira febre de taxas que encarecem o custo de vida.

Evidências / CM

O adiamento da reunião só foi comunicado à imprensa no local onde devia decorrer o evento. Fontes ouvidas pelo Evidências justificam que a reunião que havia sido programada para sexta-feira última, (25), foi adiada devido ao desaparecimento físico da vereadora do Distrito Municipal Ka Maxaquene, Domingas de Souza.

O evento tinha como objectivo avaliar o desempenho dos órgãos autárquicos de Maputo e até então ainda não há uma data prevista para sua realização.

Na verdade, o encontro, em que ficaria conhecida a posição do partido no poder sobre o desempenho de Eneas Comiche e seu executivo, era esperado com muita expectativa pelos munícipes da capital do país num contexto em que, a dois anos de concluir o mandato, o edil octogenário ainda não concretizou nenhuma promessa feita durante a campanha.

É que 10 anos depois de ter deixado o comando da principal autarquia do país, Eneas Comiche voltou à política activa para dirigir os destinos da urbe prometendo Txunar Maputo, bairro a bairro e fazer da capital do país um município de referência a nível nacional, regional e internacional como uma cidade modernizada e desenvolvida.

Uma pesquisa recentemente publicada pelo Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD), uma organização da sociedade civil aponta que Enéas Comiche, em três anos do seu mandato, não cumpriu uma única promessa para melhorar a vida dos munícipes.

A título de exemplo, o estudo aponta que a mais recente promessa foi o sistema de transporte suspenso, designado FUTRAN, cujas obras estavam previstas para Setembro de 2021, mas até hoje não há nenhum sinal e os munícipes continuam a viajar em condições  inadequadas.

Por outro lado, a maior parte das estradas da capital do país estão num nível avançado de degradação e o município continua sem um plano concreto.

A eclosão da pandemia da Covid-19 no mundo, e em particular no país, veio agravar as condições de vida dos munícipes, principalmente os do sector informal que foram agredidos e interditos de realizar a sua actividade laboral.

Foi neste período em que o Município mobilizou a Polícia Municipal para oprimir milhares de munícipes que ganham a vida vendendo nas ruas e passeios da Cidade, o que teve impacto na renda de milhares de famílias, mas também nos cofres da própria edilidade que perdeu muitas fontes de arrecadação de receitas, mostrando-se incapaz de cumprir com qualquer um dos programas prometidos até agora.

O “Programa Tsutsuma Maputo”, cujo objectivo era melhorar o sistema de transportes, mobilidade e acessibilidade, através da implementação do sistema de transporte rápido de autocarros, de um sistema ferroviário de transporte de passageiros (Metro), do sistema intermodal na área metropolitana de Maputo, da consolidação do funcionamento do Metro-Bus na área do Grande Maputo, incluindo a criação de estações destinadas a facilitar as transferências das vias-férreas às rodoviárias, foi outra promessa que a menos de dois anos de mandato se mostra um grande falhanço.