Os médicos decidiram prorrogar a grave por mais 21 dias devido à falta de seriedade do Governo. O líder da Nova Democracia, Salomão Muchanga, não tem dúvidas de que a greve dos médicos pode precipitar mortes nos hospitais nacionais nos próximos dias e lançou duras críticas ao Executivo por apostar numa postura de pugilismo para intimidar os profissionais de saúde.
O Sistema Nacional de Saúde está é beira do colapso, uma vez que os médicos vincaram que não vão ceder perante as ameaças do Governo. O líder da Nova Democracia, que solidarizou-se com os médicos que reivindicam os seus direitos, observa que o Executivo pauta por ameaças em detrimento de encontrar soluções colectivas e satisfatórias.
“Os trabalhadores moçambicanos estão enfermos. Na saúde não tem meios de trabalho, direito fundamental a protecção e segurança, e os mesmos hoje são caçados com discursos de um Conselho de ministros irresponsável. Os professores foram igualmente humilhados por essa gang de opressores, que estando ali pagos para em vez das sociedades e do povo atinar e encontrar soluções colectivas e satisfatórias, investem na caçação, em discursos vazios, ameaças e pela via da irresponsabilidade”, disse Muchanga posteriormente advertir que a actual situação pode precipitar mortes nas unidades sanitárias.
“Os enfermeiros, e restantes carreiras médicas e para-médicas, igualmente foram humilhadas e não tardará que nos próximos dias assistiremos mortes em hospitais, como está a acontecer agora com a greve dos médicos que aliás, foi precedida da greve das restantes classes”.
Muchanga lembra que com as independências em África e no mundo as classes, que se organizaram em confederações e associações de profissionais, estabeleceram mecanismos de tratamento das questões laborais para o melhor encaminhamento das suas preocupações e lutas de classe. No entanto, adverte que o Estado tem usado pugilismo para ameaçar grupos de cidadãos profissionais inofensivos e desarmados.
“Este pugilismo Estatal que ontem era contra a sociedade e o sector privado, hoje atingiu o sector público Estatal, que durante muitos anos ficou refém de Leis que proibiram os funcionários e agentes de manifestar contra o Estado, até que a pressão foi tanta que cedeu criando o sindicato da função pública, uma instituição de dissimulação em que se estabeleciam as anteriores negações a manifestação em face à violação de direitos dos trabalhadores funcionários públicos”.
Nas entrelinhas, o líder da Nova Democracia entende que o Executivo está a tentar a todo custo fechar lacunas detectadas na implementação da Tabela Salarial Única.
“Com as revisões dos instrumentos legais atinentes ao trabalho desde Constituição da República, a legislação avulsa sobre matéria de trabalho, então finalmente e sem se aperceberem, que se perdia a tão desejada vontade de controlar, foi liberada a criação de confederações, e associações entre outras formas de organização social profissional, que hoje assistimos suas lutas, para o estabelecimento de direitos adquiridos e caçados, na nova nomenclatura de direitos profissionais, que o opressor tenta a todo custo manipular na falhada intenção de reforma salarial”.

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