PRM detém seis estudantes da Escola Náutica após marcharem por causa de fome e a direcção da escola ignora o caso

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A Polícia da República de Moçambique (PRM) deteve há dias, seis dos cerca de 50 estudantes da Escola Superior de Ciências Naútica, na Cidade de Maputo que manifestaram nesta Segunda-feira, 02 de Outubro, devido às péssimas condições na residência escolar. Desde então, a direcção da escola recusa-se a falar sobre o caso, e igualmente, a polícia não deu qualquer esclarecimento sobre oque teria levado à detenção dos formandos.

A detenção dos seis estudantes aconteceu pouco depois que dezenas de estudantes estiveram em frente ao Ministério dos Transportes e Comunicações (MTC) para manifestarem o seu descontentamento por conta da avançada degradação da escola, falta de meios e a falta de alimentação a que são submetidos visto que são na sua maioria estudantes bolseiros desfavorecidos oriundos de várias províncias do país.

Pouco antes da detenção, a polícia mobilizou ao local da manifestação um forte contingente fortemente armado que com uso da força dispersou e obrigou os estudantes a prosseguirem com a manifestação ao longo da Avenida 10 de Novembro que fica a cerca de 500 metros do ministério de tutela.

“Após voltarmos da manifestação, fizemos uma formatura, a directora pediu para conversar connosco, ela estava acompanhada de oficiais da polícia. Na ocasião, garantiu que a reunião com o Ministério dos Transportes e Comunicações aconteceria às 16 horas de segunda-feira, foi quando ela escolheu seis estudantes, aleatoriamente, para, supostamente, conversar com a Polícia para explicar o que estava a acontecer. Pouco tempo depois da nossa formatura, percebemos que já havia um carro da Polícia a recolher os nossos colegas, nem desconfiamos que estivessem a ser detidos, só que, mais tarde, apareceu alguém da direção a pedir comida e roupas para os nossos colegas dormirem na esquadra”, explicou, sem revelar a sua identidade, um dos estudantes.

A imprensa buscou a todo custo falar com a directora deste centro de ensino mas, esta recusou-se a dar qualquer explicação sobre o assunto chegando até a se manter trancada no seu gabinete.

No entanto, já no Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, a juíza do caso, Isaura Pereira, decidiu na tarde do dia 09 de Outubro absolver os estudantes, pois não viu culpa alguma nestes que exerciam o direito à manifestação salvaguardo pelo Artigo 51° da Constituição da República. Curiosamente em audição, os agentes da polícia envolvidos não souberam explicar as razões da detenção, limitando-se a dizer que estavam apenas cumprindo ordens superiores.

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