Timóteo Maquinze reitera que generais não reconhecem Ossufo Momade como presidente da Renamo

DESTAQUE POLÍTICA
  • Generais da RENAMO reaparecem e dão ultimato ao seu presidente
  • “Sobre os 15 anos para ser candidato da Renamo, isso é invenção de Ossufo Momade”
  • Delegado político de Sofala contraria a todos e endossa apoio à candidatura de Momade

O ambiente político na Renamo está cada vez mais turvo. Enquanto tenta sobreviver a uma providência cautelar que o obriga a marcar o Congresso e abster-se de tomar decisões estruturantes do partido, o presidente do maior partido da oposição, Ossufo Momade, vem recebendo uma chuva de balas de todos os lados. Desta vez são os generais da Renamo, através do seu Chefe do Estado Maior, Timóteo Maquinze, que depois de um tempo relegados ao silêncio decidiram aparecer para “mandar” passear Ossufo Momade e esclarecer algumas zonas de penumbra. Se por um lado dizem não reconhecer Ossufo Momade como líder do partido e o culpam pela falta de comunicação e desorganização do partido, por outro acusam a actual direção máxima de tentar viciar as regras para afastar concorrentes, sobretudo no que tange a um suposto requisito que obriga a que o candidato tenha no mínimo 15 anos de militância.

Jossias Sixpence – Beira

Está a cada dia que passa a degradar-se a situação política dentro da Renamo, com cada vez mais vozes sonantes a aparecerem publicamente a contestarem ou mesmo desafiarem o actual presidente da perdiz, Ossufo Momade, que está a ficar cada vez mais com a imagem e reputação beliscados, sobretudo depois de ser levado ao tribunal por Venâncio Mondlane.

Enquanto aguarda a decisão do juiz, dias depois de ter estado no tribunal para em sede do contraditório diferido tentar fazer cair a providência cautelar que o obriga a convocar o Congresso, ao mesmo tempo que deve abster-se de exonerar quadros do partido, Ossufo Momade não tem tido tempo para descanso.

Depois de outros membros seniores do partido, incluindo o antigo secretário-geral, Manuel Bissopo, colocarem a boca no trombone, semana passada, a ala militar, composta por alguns oficiais seniores, recentemente desmobilizados no âmbito do DDR, que sempre foram a base de sustentação da Renamo e aliados próximo de Afonso Dhlakama, veio novamente a terreiro renegar o presidente da Renamo, que, curiosamente, já foi seu colega de trincheira.

Através do seu Chefe do Estado Maior, Timóteo Maquinze, a ala militar lançou duras críticas a Ossufo Momade, a quem dizem não o reconhecerem como líder da perdiz, uma vez que foi destituído em Abril de 2023.

“Destituímos Ossufo Momade e nós já não temos presidente desde o mês de Abril do ano passado, por este cumprir agenda pessoal e não do partido. Por isso, a Renamo está sem presidente. Ossufo levou o partido até o fundo do poço em total desrespeito à luta pela democracia. Pelo medo instalado não podemos mostrar a quem vamos apoiar para assumir a presidência do partido porque tememos perseguições e assassinatos, e isso nunca foi ambiente interno do partido”, desabafou Maquinze.

O Chefe do Estado Maior da Renamo refere, por outro lado, que Ossufo Momade fracassou no seu primeiro ciclo na liderança da Renamo e por via disso não tem requisitos para se recandidatar. Aliás, o acusam de estar a manipular os processos para afastar possível concorrência.

“Sobre os 15 anos para se ser candidato à presidência da Renamo nós não concordamos. Bastar ser membro, ter capacidade e competências e outros requisitos de experiência dentro do partido. Isso de 15 anos de militância é uma invenção do Ossufo Momade, porque ele sabe que não tem perfil para recandidatar-se à presidência do partido, por isso vai combatendo internamente a quem tem perfil”, disse Maquinze, dissipando assim equívocos sobre a situação de Venâncio Mondlane, que alguns quadros do seu partido dizem não preencher esse requisito para concorrer.

Delegado de Sofala também apoia candidatura única de Ossufo Momade

Enquanto se aguarda pela data do Congresso, que poderá ser anunciada ou não dentro de dias, a Renamo continua em ebulição. Na sequência das críticas de Manuel Bissopo, antigo secretário-geral do partido, o delegado da perdiz ao nível da província de Sofala, Horácio Clavete, veio a terreiro manifestar apoio a Ossufo Momade, referindo que Bissopo foi infeliz na sua abordagem.

“Sair do secretariado não significa estar expulso. Aquela cadeira todos nós esperamos. Hoje sou delegado e amanhã posso não ser. Mas quando for exonerado não significa que tenho que deixar de ir à delegação. Bissopo deve vir ao partido. Não podemos ir a casa dele. Ele é que desenhava essas regras quando era secretário-geral, não precisa ser convidado aqui. A porta está aberta, venha ao partido ver o programa e será enquadrado para trabalhar. Quando o congresso passou, essas pessoas desapareceram do partido e não queriam ser membros. Olhavam a Renamo como se fosse uma lixeira, e nem a liderança não era nada. Hoje estamos quase para as eleições e estamos a correr atrás disso”, declarou.

No entender de Horácio Clavete, a agitação no seio da perdiz não tem a ver com o silêncio em torno da marcação da data do Congresso, mas sim pela apetecível cadeira de presidente do partido, advertindo que não basta falar bom português para liderar o maior partido da oposição em Moçambique.

“Esta é a disputa. Mas estas pessoas que estão a dizer que querem ser presidente não tem perfil para tal. Se Venâncio Mondlane quiser ser presidente tem que beber mais água durante 10 anos.  Para ser presidente não significa engomar bem as calças e falar bem português. Eles gritam sobre o congresso, mas como membros seniores apoiam o partido em quê? Nunca tiram nem centavos para alimentar fiscais. Será que quando forem presidente da Renamo vão conseguir? Não. Na Renamo tem regras de jogo. Lá tem generais que são licenciados, que conhecem a história verdadeira. Não porque saiu da OJM quer ser presidente da Renamo. Nós militantes e combatentes da Renamo não aceitamos isso. O partido deve ser dirigido por uma pessoa madura que tem responsabilidade pelas pessoas que vai dirigir”, apontou.

Venâncio Mondlane ambiciona liderar a Renamo, mas para Clavete o cabeça-de-lista da perdiz na Cidade de Maputo nas VI Eleições Autárquicas não passa de um ganancioso, por isso apela ao mesmo para esquecer esta ideia.

“O mano Venâncio deve esquecer a presidência por completo. Não há lugar para ele. Primeiro deve bater as botas até sentir a rasgar o pé. Como fizeram aqueles jovens de 16 anos. Queremos tranquilizar a população que estas vozes vão voar pelo vento. Esses que falam são gananciosos ao poder, ou seja, tribalistas. É importante esperar para os órgãos do partido dizerem alguma coisa. Um tambor vazio toca muito. Ele pode gritar como quiser. Na Renamo não há essas coisas, porque temos órgãos internos que podem resolver esses problemas. Ele está a desafiar a Renamo.  Gostamos de Venâncio, mas pisou na bola. Deve esperar a sua vez”.

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