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O Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD) mostra-se convicto de que o processo de investigação do assassinato do advogado Elvino Dias e do activista Paulo Guambe terá resposta das autoridades moçambicanas, apesar da morosidade que o tem caracterizado.
A organização foi recentemente notificada pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) na qualidade de denunciante e assistente no processo, tendo sido chamada a prestar declarações adicionais sobre a queixa submetida à Procuradoria-Geral da República (PGR), a 8 de Janeiro deste ano.
“O SERNIC nos solicitou a vir para aqui na qualidade de denunciante para prestar declarações adicionais e confirmar as informações que lá depositamos. E, novamente, pressionar a própria SERNIC para fechar este processo”, afirmou Adriano Nuvunga, director do CDD, em conferência de imprensa após o encontro.
Segundo Nuvunga, o dossiê entregue às autoridades inclui informações que envolvem figuras com estatuto político, incluindo deputados e membros do governo do antigo Presidente Filipe Nyusi. “A investigação deve ser compreensiva. Todos aqueles que fizeram pronunciamentos em relação à morte de Elvino Dias — a insinuar ou provavelmente a emitir ordens disfarçadas — devem ser considerados”, defendeu.
Apesar das dúvidas quanto à celeridade do processo, Nuvunga disse notar alguma preocupação institucional no tratamento do caso: “Ficamos com a sensação de que o processo é muito demorado, mas também ficamos com a impressão de que, ao nível da SERNIC, há preocupação em agir com profissionalismo e investigar o assunto com seriedade”.
O activista assegurou, ainda assim, que o CDD manterá a pressão sobre as autoridades até que haja justiça: “Não há como este processo não ter pernas para andar. Estamos aqui em nome da sociedade moçambicana, que tem sede de justiça. Cabe a nós, como activistas, continuar a vir aqui, à SERNIC ou à Procuradoria, todos os dias, pressionar. E isso vai acontecer”, concluiu.



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