Banco Mundial garante financiamento para transformar Moçambique em potência energética da África Austral

DESTAQUE ECONOMIA
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  • Central Norte da HCB, parque electrocondutor e Mpanda Nkuwa com pernas para andar
  • Ajay Banga promete mobilizar tríade IBRD, MIGA e IDA, o que chamou “uma orquestra que toca uma boa música”

A convite do Presidente da República, Daniel Chapo, na sua recente deslocação à Sevilha, em Espanha, à margem da Quarta Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento (FfD4), o presidente do Grupo Banco Mundial, Ajay Banga, visitou, este sábado, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e sobrevoou o vale do Zambézia até ao local de implantação do projecto Mphanda Nkuwa, tendo deixado garantias de financiamento às ambições de Moçambique de se tornar no principal polo energético da região e do continente.

Evidências

A primeira visita oficial de Ajay Banga em solo moçambicano, a convite de Daniel Chapo, mais do que uma diplomacia económica virada a projectos estruturantes, serviu para solidificar uma parceria estratégica focada no desenvolvimento do vasto potencial energético do País.

Numa visita guiada pela imponente infra-estrutura da HCB, depois de um sobrevoo pela imponente infra-estrutura e o local de implantação da futura hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa, Ajay Banga recebeu explicações do presidente do Conselho de Administração (PCA) da HCB, Tomás Matola, sobre o funcionamento da hidroeléctrica, a sua ambição de ampliar e modernizar o seu parque electroprodutor, bem como o projecto de expansão que prevê a construção de uma segunda central no norte da barragem, também conhecida como “Central Norte” com vista a aumentar significativamente a capacidade de produção de energia da HCB, com uma previsão de atingir 4.000 MW até 2034.

Após receber explicações por parte de Tomás Matola, Ajay Banga expressou o seu entusiasmo ao descobrir as potencialidades da matriz energética diferenciada do País.

“Vocês têm tudo neste País para criar o melhor tipo de capacidade para energia e transmissão: hidroeléctrica, gás natural, solar e eólico. Francamente, nesta parte da África, ninguém tem a capacidade ou a possibilidade de fazer o que pode ser feito com os activos deste País”, reconheceu.

O presidente do Banco Mundial partilhou da visão de Moçambique, descrevendo-a como “uma oportunidade real de, não apenas ver e entender o que foi feito há 50 anos [com Cahora Bassa], mas que agora pode ser a base do próximo sector de investimentos”.

IBRD, MIGA e IDA: a “orquestra que toca uma boa música” de Ajay Banga

Banga detalhou o mecanismo de apoio que o Grupo Banco Mundial pretende mobilizar, comparando-o a “uma orquestra que toca uma boa música”. Este apoio envolverá o IFC (Corporação Financeira Internacional) no desenho de projectos e financiamento em parcerias público-privadas, o IBRD (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento) na concessão de garantias de risco parcial, a MIGA (Agência Multilateral de Garantia de Investimentos) na oferta de seguro contra risco político, e a IDA (Associação Internacional de Desenvolvimento), que disponibilizará financiamento concessionário para as linhas de transmissão e preparação dos projectos.

Por sua vez, o Presidente da República, Daniel Chapo, reiterou a visão estratégica do País no sector energético, destacando os esforços em curso para assegurar que Moçambique consolide a sua posição como principal hub energético da região, bem assim os esforços para a diversificação de fontes.

“Nós pretendemos ser o hub da distribuição de energia eléctrica ao nível da região da África Austral”, declarou o Chefe de Estado, detalhando que os projectos que compõem esta ambiciosa matriz energética incluem a expansão da capacidade da HCB e o novo projecto de Mphanda Nkuwa com 1.500 megawatts.

A estratégia contempla ainda o aproveitamento do gás natural, com projectos como a Central Térmica de Temane, e um forte investimento em energias renováveis, com destaque para a construção de uma nova central solar de 400 megawatts junto à Cahora Bassa e o desenvolvimento de centrais eólicas.

Presidente Chapo destacou o simbolismo do momento, notando que a HCB celebrou 50 anos em 2025, coincidindo com o cinquentenário da independência nacional.

Ambos os líderes sublinharam que a colaboração não se esgota no sector energético. A parceria estratégica com o Banco Mundial abrangerá outras áreas cruciais para o desenvolvimento de Moçambique, como o turismo, a agricultura e as infra-estruturas, com foco no desenvolvimento dos corredores logísticos de Maputo, Beira e Nacala e na reabilitação de estradas vitais como a Estrada Nacional N.º 1.

Presente também no local, o director do projecto da Hidroelétrica de Mpanda Nkuwa, Carlos Yum, mostrou-se satisfeito pela renovação de garantias de pelo menos 1.4 milhões de dólares por parte do Banco Mundial para a construção daquele empreendimento, a Sul do rio Zambeze, província de Tete. O empreendimento é comparticipado pela HCB e EDM, que recentemente receberam autorização do governo para entrarem no projecto.

“Portanto, se incluímos todos esses pacotes, digamos que essas missões são muito importantes para que elas possam analisar não só a documentação mas também, no terreno, questões hidrológicas, de reassentamento, questões de infra-estrutura e também entender como é que Mphanda Nkuwa cabe no contexto global da matriz energética, no caminho da industrialização  e no caminho de acesso universal“,  disse Yum.

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