Estado recupera apenas uma pequena fracção dos medicamentos antipalúdicos desviados na Machava

DESTAQUE SAÚDE SOCIEDADE
Share this

As autoridades moçambicanas anunciaram a recuperação de 5100 doses de tratamentos antipalúdicos que haviam sido desviados do armazém central da Machava, na província de Maputo, em Dezembro passado. A quantidade apreendida representa apenas uma ínfima parte do volume total subtraído do sistema público de saúde, estimado em cerca de 844 860 tratamentos.

A operação foi conduzida pela Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos (Anarme), em coordenação com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC). Até ao momento, as investigações resultaram na detenção de seis indivíduos, entre os quais figuram funcionários do armazém central, elementos da segurança privada e cidadãos suspeitos de envolvimento na compra ilícita dos fármacos.

Os medicamentos foram interceptados na cidade de Chimoio, província de Manica, onde se encontravam em trânsito com destino provável ao vizinho Maláui. Noémia Escrivão, directora-geral da Central de Medicamentos e Artigos Médicos, confirmou a conivência interna no crime e sublinhou a gravidade da situação durante a apresentação pública dos produtos recuperados.

“Estavam em conivência com este roubo. E em função da investigação que o SERNIC fez, apreendeu em Chimoio um total de 5100 tratamentos de antimaláricos”, afirmou a directora-geral.

A responsável alertou ainda que as quantidades recuperadas “não representam nem metade do que foi desviado”, indicando que volumes massivos de medicamentos continuam a circular no mercado informal nacional e em países da região.

Para mitigar o risco de novos incidentes, as autoridades introduziram medidas de segurança mais rigorosas, incluindo a instalação de sistemas de videovigilância e o uso de plataformas informáticas para a gestão de stocks. Foi, inclusive, através deste sistema digital que se conseguiu detectar com precisão o desaparecimento dos lotes, avaliados em aproximadamente 562 mil euros.

A directora apelou à vigilância da população, reforçando que produtos com a menção “Uso exclusivo do Ministério da Saúde” não podem ser comercializados. Perante a gravidade do desvio, o ministro da Saúde, Ussene Isse, reiterou a política de “tolerância zero” contra o contrabando de medicamentos no país.

Promo������o
Share this

Facebook Comments