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O Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, afirmou que a construção de uma barragem no distrito de Mapai é agora uma prioridade nacional para enfrentar as cíclicas inundações que assolam a província de Gaza. De acordo com o governante, a infra-estrutura estratégica visa controlar o caudal do rio Limpopo, que actualmente recebe sem qualquer barreira tanto as chuvas locais como as águas provenientes dos países vizinhos.
Roberto Albino sublinhou a urgência da obra ao explicar que “o rio Limpopo não está controlado, toda a água proveniente das chuvas locais, como também dos países vizinhos, vai directa para as zonas baixas do Limpopo e de Chokwé. Nesse sentido, há necessidade de se construir uma barragem em Mapai”.
Apesar de reconhecer a importância da futura infraestrutura, o dirigente esclareceu que a albufeira não será uma solução definitiva para as enchentes de grande magnitude, uma vez que a gestão das águas exigirá sempre a operação das comportas em períodos críticos. Contudo, o ministro defendeu que a obra poderá, pelo menos, reduzir o impacto das cheias naquela província.
Roberto Albino lamentou ainda o facto de Moçambique ter parado no tempo em termos de engenharia hídrica e reforçou que é do interesse do Executivo reunir esforços para retomar projectos de infra-estruturas robustas, visando a contenção e gestão eficiente dos recursos hídricos.
A necessidade desta intervenção é acentuada pelos dados alarmantes da presente época chuvosa, que já resultou em 153 mortos e afetou cerca de 844 mil pessoas em todo o território nacional. O distrito de Mapai, situado a 300 quilómetros da capital Xai-Xai, permanece isolado devido às enxurradas, reflectindo um cenário de devastação que obrigou o Governo a declarar alerta vermelho nacional. Além das perdas humanas, o impacto económico é severo, com a destruição de mais de 275 mil hectares de culturas e a perda de cerca de 408 mil cabeças de gado, o que compromete a segurança alimentar de milhares de famílias em Gaza e no Centro do País.
Moçambique continua a figurar como uma das nações mais vulneráveis às alterações climáticas, enfrentando um ciclo destrutivo de ciclones e cheias que, entre 2019 e 2023, vitimaram mais de mil pessoas. A construção da barragem de Mapai surge, portanto, como uma peça fundamental numa estratégia mais ampla de adaptação climática e protecção de infra-estruturas vitais, como as 316 escolas e as centenas de unidades sanitárias que sofreram danos significativos desde o início de Janeiro.



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