Chang chega à casa com problemas familiares por gerir

DESTAQUE POLÍTICA
Share this
  • Família expulsou a esposa e esta voltou a casar com o ex-marido
  • Chang não protegeu a ex-esposa que o apoiou durante boa parte do processo

Quando Manuel Chang ainda travava a sua batalha judicial na África do Sul, tentando evitar a extradição para Moçambique, uma presença discreta, mas marcante, chamava atenção nas galerias do tribunal de Kempton Park. Era a sua companheira na altura, que assumira o papel de apoio emocional nos momentos mais sombrios. Ela havia se separado do seu ex-marido para estar ao lado de Chang, após a morte trágica da primeira esposa do ex-ministro num acidente de viação na EN4, nas proximidades da Matola. No entanto, consta que após desentendimentos familiares terá sido expulsa da casa.

Evidências

O regresso de Manuel Chang a Moçambique, marcado para 26 de Março de 2026, promete ser um momento paradoxal. Enquanto a justiça internacional lhe devolveu a liberdade, a vida pessoal do ex-ministro das Finanças apresenta-se mais conturbada do que nunca.

Ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Maputo, do voo comercial que o traz da prisão federal de Danbury, nos Estados Unidos, Chang poderá cruzar olhares no horizontes e não ver um dos rostos que lhe foi o suposte durante os primeiros anos da sua tortuosa jornada prisional: a sua ex-esposa, que ficou conhecida durante os intermináveis meses de ‘vaivéns’ do processo de disputa de sua extradição entre Moçambique e Estados Unidos.

Durante os meses de detenção preventiva e luta pela extradição para Moçambique, a mulher tornou-se o elo entre Chang e a vida fora das prisões sul-africana e americana. Documentos e testemunhos indicam que ela esteve presente em quase todos os momentos cruciais, visitando-o regularmente e oferecendo suporte psicológico num período em que o ex-governante se encontrava isolado e fragilizado.

Mas a fidelidade, lealdade e dedicação não foram suficientes para enfrentar os problemas internos da família Chang. Segundo fontes próximas, os filhos do ex-ministro, irritados com a influência da companheira, exerceram pressão sobre ela e, eventualmente, exigiram que abandonasse o lar familiar.

A decisão que se efectivou quando foi confirmada a sua extradição para os Estados Unidos partiu da família, que considerou que a mulher interferia na gestão do património familiar. Com isso, ela perdeu o direito de residir na mansão do bairro nobre da Matola.

A situação, que já era delicada, ganhou contornos ainda mais dolorosos quando se soube que a mulher voltou a se unir ao seu ex-marido, com quem havia se separado justamente antes de se juntar a Chang.

Trata-se de um desfecho inesperado que revela as contradições da vida pessoal do antigo ministro que enquanto ganha liberdade e segurança jurídica, vai agora enfrentar o desafio de recomeçar em Moçambique sem a sua costela que o amparou durante os momentos em que mais necessitou.

Nalguns circulos próximos, há o sentimento de que mesmo distante, Chang podia tê-la apoiado mais na disputa com os filhos e outros familiares.

Apesar de ter enfrentado tribunais internacionais e um dos maiores escândalos financeiros da história de Moçambique, Chang parece ter falhado na defesa daqueles que estiveram ao seu lado durante os momentos mais críticos. A mulher que o apoiou, acompanhou cada audiência e serviu de alicerce emocional acabou isolada, sem protecção do próprio homem cuja liberdade agora celebra.

O ex-ministro regressa a Maputo com a vitória judicial nas mãos, mas com a vida familiar fragmentada, alianças desfeitas e a responsabilidade de gerir não apenas o seu património, mas também as consequências emocionais de decisões passadas.

Chang é homem livre a partir desta quinta-feira

A contagem decrescente para a libertação de Manuel Chang entrou na recta final. O antigo ministro das Finanças de Moçambique deverá deixar a prisão federal de FCI Danbury, nos EUA, esta quinta-feira, 26 de Março, encerrando um capítulo judicial marcado pelo escândalo das dívidas ocultas, que deixou o país em crise e empurrou quase dois milhões de moçambicanos para a pobreza.

Condenado a 102 meses de prisão, Chang viu a pena reduzir-se para pouco mais de 14 meses, graças a créditos por tempo já cumprido na África do Sul e nos EUA, além de bom comportamento. Ao longo de sua detenção, tentou libertação antecipada e negociou cada crédito possível, mas o tribunal negou pedidos de redução, citando condições médicas “não graves” e alegados atrasos processuais.

A sua chegada a Moçambique será discreta, sem recepção oficial. Apesar de já não poder ser julgado pelos mesmos crimes nos quais foi condenado nos EUA, especialistas divergem sobre eventuais diligências futuras, embora a Procuradoria-Geral da República (PGR) tenha praticamente encerrado os processos autónomos ligados ao escândalo.

Entre 2013 e 2014, Chang assinou garantias soberanas que permitiram empréstimos de mais de 2 mil milhões de dólares a empresas consideradas fantasmas, com subornos pagos pelo grupo Privivenst. A detenção em Joanesburgo, em Dezembro de 2018, abriu um turbilhão político e económico em Maputo, mas até hoje os réus mantêm grande parte do património.

Aos 70 anos, com saúde frágil, Chang regressa à liberdade para retomar uma vida discreta, enquanto o país continua a lidar com as consequências do maior escândalo financeiro da sua história.

Promo������o
Share this

Facebook Comments