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O Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, garante que embora a empresa detenha um peso histórico inegável na balança comercial, a sua contribuição real para as reservas líquidas do Estado é significativamente mais limitada do que a percepção geral sugere. O regulador explicou que esta discrepância se deve à natureza dos acordos firmados aquando da instalação do projecto, que conferiram à fundição uma liberdade de gestão de capitais que não beneficiava directamente as disponibilidades de moeda estrangeira no país.
A análise técnica apresentada pelo Banco Central revela que o peso da Mozal no fundo cambial é de apenas 3%, um valor que contrasta com a sua fatia de 20% a 30% no total das exportações nacionais. Segundo Rogério Zandamela, esta diferença estrutural ocorre porque a empresa operou durante décadas sob um modelo que permitia a retenção de receitas no exterior, limitando a entrada de divisas no mercado doméstico.
Para fundamentar esta posição, Rogério Zandamela destacou que o figurino cambial da empresa foi desenhado de forma isolada do resto da economia, afirmando categoricamente que o impacto no fundo cambial é bem modesto em comparação com o que se pensa.
“A Mozal representa algo como 3% do fundo cambial, ok? 20% das exportações, 3% do fundo cambial, esse é o impacto da Mozal. Você tem consciência, não exageremos o seu impacto. Apesar de ter um impacto maior do ponto de vista das exportações, são 30%, mas a sua presença no fundo cambial é menor pelo tipo de regime cambial que teve. Ele tinha um regime cambial extremamente favorável, que praticamente as suas receitas de exportações eram depositadas fora do país”, explicou o Governador.
Para além de relativizar a perda da fundição de alumínio, o Banco de Moçambique aponta para uma trajectória de substituição económica impulsionada pelo sector extractivo. Zandamela acredita que a dinâmica ascendente do gás natural será suficiente para cobrir, pelo menos em parte, o vazio deixado pela indústria do alumínio, mantendo a solvabilidade externa do país.
“A nossa expectativa é outros sectores que estão a crescer, mesmo a nível do gás, os preços são maiores, as receitas que hão-de vir do gás vão ser maiores, etc. Isso poderá, provavelmente, compensar, se não totalmente, mas parcialmente, esta perda da Mozal. Outros sectores, até só pelo nível de preços, sobretudo na área do gás, podem ser. Mas o impacto, neste momento, do fundo cambial, não é mais de 3%”, concluiu o dirigente do Banco Central.



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