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O presidente do partido Nova Democracia (ND), Salomão Muchanga, declarou, em Nampula, que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) carece de legitimidade para gerir os pleitos eleitorais em Moçambique e chumbou o plano de fundir as votações num “superciclo”, rotulando a iniciativa como uma tentativa de manipulação generalizada. O político alertou que concentrar as eleições autárquicas, provinciais e presidenciais num único dia funcionaria como uma estratégia para roubar em várias frentes, o que destruiria a fidedignidade dos resultados. Como alternativa, o dirigente exigiu a manutenção das eleições autárquicas em separado, considerando-as o verdadeiro teste de honestidade para o Diálogo Nacional Inclusivo.
No encontro centrado na recolha de subsídios para as conversações políticas nacionais, o líder da oposição extra-parlamentar subiu o tom contra o historial do órgão eleitoral. Argumentou que a CNE tem falhado sistematicamente na realização de escrutínios transparentes.
“A CNE nunca realizou eleições, realizou funerais da democracia”, afirma Salomão Muchanga ao rejeitar eleições simultâneas.
Segundo o político, o aparelho de administração eleitoral moçambicano converteu-se numa barreira ao voto livre, pelo que os seus dirigentes devem um pedido público de desculpas aos cidadãos pelas falhas acumuladas.
A Nova Democracia assumiu uma posição de rejeição a qualquer alteração do modelo eleitoral em vigor que comprometa os mecanismos de fiscalização nas mesas de voto, defendendo que a proposta de unificação dos calendários eleitorais deve permanecer apenas como um exercício de reflexão.
O líder partidário estendeu igualmente a responsabilidade pelo actual cenário de degradação a outras forças políticas e ao comportamento das corporações policiais, que acusou de inviabilizarem o multipartidarismo.
Para inverter a espiral de desconfiança, o político interpelou directamente o presidente da CNE, Dom Carlos Matsinhe, instando-o a assumir uma postura de ruptura ética e a promover uma reforma profunda da instituição. Ao recordar a contestação e as denúncias de fraude que marcaram os processos eleitorais de 2023 e 2024, Muchanga concluiu que esses episódios podem ser perdoados, mas não esquecidos.
A Nova Democracia assegurou que irá acompanhar de perto o processo do Diálogo Nacional Inclusivo para pressionar por mudanças que impeçam Moçambique de voltar a mergulhar em crises e convulsões sociais sempre que se realizam eleições.



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