Fórum Económico da Mulher quer reforçar liderança feminina e impulsionar crescimento económico

DESTAQUE ECONOMIA
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Mais de 1.500 mulheres deverão reunir-se em Maputo, nos dias 21 e 22 de Outubro, para participar na segunda edição do Fórum Económico da Mulher (FEMOZ), uma iniciativa que pretende promover o empreendedorismo feminino, o investimento, a inclusão financeira e o desenvolvimento económico liderado por mulheres.

O anúncio foi feito esta quarta-feira, durante a conferência de imprensa de pré-lançamento do evento, que decorrerá sob o lema “Mais investimento para a mulher, mais crescimento para Moçambique”.

Na ocasião, a coordenadora do Consórcio do Fórum Económico da Mulher, Eulália Nhatitima, afirmou que o lançamento do FEMOZ acontece num momento em que Moçambique se prepara para definir um novo ciclo estratégico de desenvolvimento, após o encerramento da Agenda 2025.

Segundo Nhatitima, o fórum surge alinhado com a visão apresentada pelo Presidente da República de construir um modelo de crescimento mais inclusivo, sustentável, inovador e competitivo, assente na valorização do capital humano e na participação de todos os moçambicanos.

“Não será possível construir este novo ciclo de desenvolvimento deixando para trás mais de metade da população. Não haverá transformação económica sem mulheres, nem crescimento inclusivo sem a sua participação activa nas decisões económicas, empresariais, financeiras e políticas”, afirmou.

A responsável defendeu que o fortalecimento económico das mulheres exige uma actuação coordenada entre o Estado, o sector privado, a academia, os parceiros de cooperação e a sociedade civil, através de políticas públicas que garantam igualdade de oportunidades, maior acesso ao financiamento, educação, inovação, tecnologia e qualificação profissional.

Para Nhatitima, o empoderamento feminino constitui um instrumento para fortalecer as famílias, aumentar a resiliência das comunidades e acelerar o desenvolvimento nacional.

“Quando uma mulher conquista autonomia económica, investe na educação dos filhos, melhora a saúde da família, gera rendimento, cria emprego e multiplica oportunidades. Investir na mulher é investir na economia nacional e no futuro de Moçambique”, sustentou.

A coordenadora explicou ainda que o Fórum Económico da Mulher pretende afirmar-se como uma plataforma permanente de diálogo, inovação, investimento e construção de soluções, capaz de transformar ideias em políticas públicas, promover parcerias e mobilizar investimentos para o empreendedorismo feminino.

Durante o encontro, a vice-presidente da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), Ilda Matabel, defendeu a criação de um Manifesto Económico da Mulher, um documento que deverá reunir compromissos concretos para acelerar a participação feminina na economia.

Entre as propostas apresentadas constam a criação de linhas de financiamento exclusivas para mulheres empreendedoras, a implementação de quotas para aquisição de bens e serviços fornecidos por empresas lideradas por mulheres, bem como medidas para facilitar o acesso aos mercados, à capacitação técnica e à integração das empresárias nas cadeias de valor das grandes indústrias.

Segundo Matabel, o fortalecimento das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME) dirigidas por mulheres constitui uma das prioridades da Câmara de Comércio de Moçambique.

Por sai vez, a embaixadora do FEMOZ, Amélia Paris, apelou às mulheres para acreditarem no seu potencial e aproveitarem o fórum como espaço de partilha de experiências, reforço da liderança e ampliação da presença feminina nos sectores estratégicos da economia e nos cargos de tomada de decisão.

Já a directora executiva da CTA, Teresa Muenda, considerou que o crescimento económico do país depende da redução das desigualdades de género, defendendo investimentos na formação técnica e profissional, na literacia digital e no acesso das mulheres às tecnologias, factores essenciais para aumentar a competitividade dos negócios liderados por mulheres.

Em representação da directora nacional do Trabalho, Género e Acção Social, Paulina Muteia afirmou que não existe desenvolvimento inclusivo sem a integração efectiva da mulher na economia.

Para a responsável, investir na mulher significa criar emprego, estimular a inovação, reduzir a pobreza e promover maior estabilidade social.

A segunda edição do Fórum Económico da Mulher pretende reunir representantes do Governo, sector privado, academia, instituições financeiras, parceiros de cooperação e sociedade civil, com o objectivo de discutir soluções que reforcem a liderança feminina e contribuam para um crescimento económico mais inclusivo em Moçambique.

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