Alerta ICM: Inundações e El Niño podem agravar custo de vida em Moçambique

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O Instituto de Cereais de Moçambique (ICM) alerta que os efeitos combinados das inundações registadas este ano e do fenómeno climático El Niño, previsto para os próximos meses, poderão reduzir a disponibilidade de alimentos e provocar uma subida significativa dos preços dos produtos alimentares, sobretudo na região Sul do país.

O alerta foi lançado esta quinta-feira, em Maputo, pelo director-geral do ICM, Luís Fazenda, à margem do VI Conselho Consultivo da instituição. Segundo o responsável, apesar de a actual campanha agrícola ter registado um crescimento de cerca de 26% na produção de milho, a previsão de chuvas abaixo da média a partir de meados de Setembro deverá comprometer a próxima época agrícola e pressionar o custo de vida.

“Na Zona Sul tivemos inundações este ano, mas no próximo enfrentaremos uma situação de stress por causa do fenómeno El Niño. Isso significa que haverá escassez de alimentos e os preços vão disparar, porque o fenómeno poderá prolongar-se até Março, precisamente o período da colheita do milho”, advertiu.

De acordo com Luís Fazenda, a maior produção de milho registada este ano permitiu aumentar a oferta no mercado, fazendo baixar o preço pago aos produtores. Enquanto nos primeiros meses do ano o quilograma era adquirido entre 20 e 23 meticais, actualmente os preços variam entre 12 e 18 meticais, reflexo da maior disponibilidade do cereal.

No entanto, o dirigente do ICM considera que esta situação poderá inverter-se nos próximos meses devido às previsões climáticas adversas.

“O pico da comercialização será agora em Agosto, mas, com o início da nova campanha agrícola e a previsão de menos chuva, teremos menor disponibilidade de milho. É por isso que estamos a definir estratégias para reforçar as reservas estratégicas e evitar situações de insegurança alimentar”, explicou.

Para responder ao risco de escassez, o Governo orientou o ICM a constituir uma reserva estratégica mínima de 20 mil toneladas de cereais, destinada a garantir o abastecimento do mercado, sobretudo na região Sul.

Segundo o director-geral, o principal desafio continua a ser a mobilização de recursos financeiros para a compra dos produtos junto dos agricultores. O ICM está, por isso, a negociar linhas de crédito com a banca comercial, num processo que considera representar igualmente uma oportunidade de negócio para comerciantes e operadores nacionais.

“O grande desafio é a disponibilidade financeira, mas estamos a trabalhar com vários parceiros, incluindo a banca comercial, para criar linhas de crédito que permitam comprar produtos aos agricultores e constituir as reservas estratégicas”, afirmou.

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