CTA e PMA unem forças para travar  “má nutrição” no país

DESTAQUE ECONOMIA
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A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) e o Programa Mundial da Alimentação (PMA) firmaram, esta terça-feira, em Maputo, uma parceria com vista a reforçar a luta contra a má nutrição, a insegurança alimentar e a fome, através do envolvimento do sector privado.

O entendimento surge na sequência de um encontro entre as duas instituições, que serviu para identificar áreas de cooperação e reforçar a participação do sector privado nos esforços do Governo e de outros actores da sociedade no combate à malnutrição e na criação de resiliência das populações mais vulneráveis aos choques climáticos e outros factores que agravam a insegurança alimentar.

Segundo a oficial da área de Resiliência, Nutrição e Alimentação do PMA, Edna Pasolo, o encontro permitiu identificar áreas concretas de colaboração, tendo as partes reconhecido o papel estratégico do sector privado na melhoria da segurança alimentar, nutrição e resiliência das comunidades.

Pasolo considera que a insegurança alimentar e a malnutrição não devem ser encaradas apenas como problemas sociais, mas também como desafios ao crescimento económico e, simultaneamente, oportunidades de desenvolvimento, nas quais o sector privado pode desempenhar um papel determinante.

Sobre a assistência às populações afectadas pelas cheias, que contou com um plano de financiamento de 32 milhões de dólares, Pasolo explicou que, através da colaboração com o Governo e outras agências humanitárias, foi possível assegurar a resposta imediata às necessidades alimentares e nutricionais, bem como as condições logísticas para o acesso às zonas afectadas.

“Agora entra-se numa fase de investimento para a construção da resiliência das populações afectadas”, explicou.

Menos pessoas assistidas em Cabo Delgado

Em relação à assistência humanitária em Cabo Delgado, Pasolo reconheceu que a redução global do financiamento obrigou o PMA, tal como outras organizações humanitárias, a reduzir o número de pessoas abrangidas pelos programas.

Contudo, garantiu que a organização continua comprometida com as populações mais afectadas, privilegiando as famílias em situação mais crítica:. Ademais, acrescentanou que uma das prioridades do PMA para os próximos anos será o reforço das capacidades locais, incluindo instituições governamentais, comunidades, actores distritais e comunitários e o sector privado.

CTA quer aumentar produção nacional

Por seu turno, o director executivo adjunto da CTA, Eduardo Macucua, afirmou que a parceria pretende permitir a transição de uma agenda essencialmente humanitária para uma abordagem centrada na resiliência e no aumento da capacidade produtiva nacional.

Macucua lembrou que o PMA já trabalha com o sector privado através da compra local de alimentos destinados aos seus programas humanitários, defendendo o aprofundamento desta relação para reduzir a dependência de importações.

A primeira área de cooperação identificada é o aumento da produção nacional. Segundo Macucua, as empresas moçambicanas poderão aumentar a sua capacidade produtiva e adequá-la às especificações exigidas pelo PMA, permitindo que mais produtos sejam adquiridos localmente.

A segunda área é a fortificação de alimentos, considerada pela CTA fundamental para melhorar a qualidade nutricional dos alimentos consumidos pelas comunidades.

A parceria deverá igualmente abranger os programas de alimentação escolar, com o sector privado a assumir um papel na produção e fornecimento de alimentos, enquanto o PMA poderá prestar assistência técnica sobre receitas e preparação de refeições nutricionalmente adequadas.

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