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O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu esta segunda-feira que Moçambique terá de aumentar a produção e as exportações para aliviar a pressão sobre a disponibilidade de divisas, um problema que tem condicionado a actividade das empresas e a capacidade de importação no país.
Na abertura da 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo, em Ricatla, Chapo estabeleceu uma relação directa entre a escassez de moeda externa e o desequilíbrio entre aquilo que Moçambique produz, importa e consegue colocar nos mercados internacionais.
“Nós só teremos divisas se produzirmos mais e exportarmos mais”, afirmou o Chefe do Estado, acrescentando que, enquanto o país produzir menos, importar mais e exportar menos, continuará a haver menor disponibilidade de moeda externa.
A resposta defendida pelo Presidente passa por alterar gradualmente o perfil da economia moçambicana, ainda fortemente assente na exportação de recursos e produtos com reduzida transformação local. Chapo apontou o gás, o grafite, o algodão e a produção agrícola como exemplos de sectores onde o país deve avançar na cadeia de valor.
“O nosso gás natural não deve ser apenas exportado: deve também alimentar fábricas, criar indústria e gerar empregos”, afirmou. Sobre o grafite, defendeu que o recurso deve deixar de sair apenas como minério e passar a integrar a produção de baterias e novas cadeias industriais em Moçambique e no continente africano.
A mesma orientação foi apresentada para o algodão, que Chapo quer ver transformado em vestuário no país, e para a agricultura, cujos produtos deverão chegar aos mercados externos com maior incorporação de valor e uma marca de qualidade “Made in Mozambique”.
O Presidente enquadrou esta aposta numa estratégia mais ampla de industrialização, defendendo que as receitas provenientes do gás sejam aplicadas na agricultura, indústria, recursos minerais, energia, turismo, economia azul, transformação digital e infra-estruturas.
Chapo disse ainda que o Governo pretende continuar a simplificar procedimentos administrativos, digitalizar serviços públicos, reduzir custos e melhorar a previsibilidade regulatória para estimular o investimento privado. Segundo o Presidente, cabe ao Estado criar condições para que quem produz, investe e cria emprego possa fazê-lo com maior confiança.
Na FACIM, o Chefe do Estado voltou a defender uma economia mais orientada para a produção. “Precisamos de inverter a nossa balança de pagamentos”, afirmou, colocando o aumento das exportações entre os caminhos para reforçar a disponibilidade de divisas e reduzir a vulnerabilidade externa da economia moçambicana.



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