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Assinalam-se esta segunda-feira, 19 de Outubro de 2026, exactamente dois anos desde o fatídico assassinato do advogado e assessor jurídico Elvino Dias e do mandatário político Paulo Guambe, abatidos a tiro na madrugada de 19 de Outubro de 2024, na Avenida Joaquim Chissano, no centro da cidade de Maputo.
O duplo homicídio, perpetrado por homens armados que interceptaram a viatura em que seguiam, ocorreu num dos momentos mais tensos e polarizados da história política recente de Moçambique, poucos dias após as eleições gerais de 9 de Outubro de 2024.
Na altura, Elvino Dias trabalhava activamente na recolha de provas para contestar os resultados eleitorais perante os órgãos de gestão eleitoral e o Conselho Constitucional, enquanto Paulo Guambe actuava como mandatário nacional do partido PODEMOS, que apoiava o candidato presidencial independente Venâncio Mondlane.
Dois anos após o crime que chocou o país e gerou forte comoção nacional e internacional, o grito por verdade e justiça mantém-se aceso. Diversas organizações cívicas, formações políticas e a classe profissional dos advogados mobilizaram-se para assinalar a data, exigindo o fim da impunidade e respostas concretas sobre o curso das investigações.
A Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM) lidera as homenagens da classe, promovendo uma concentração na sua sede, na manha de hoje, seguida de uma solene deposição de coroa de flores na Praça da OMM, local onde ocorreram os trágicos acontecimentos, exigindo o traje profissional aos seus membros em honra à memória de Elvino Dias.
Por sua vez, o partido PODEMOS programou para a tarde desta segunda-feira, uma visita ao mesmo local para prestar homenagem àqueles que considera heróis da causa democrática e da justiça eleitoral.
Plataforma DECIDE exige rigor na investigação do assassinato
Paralelamente, a Plataforma DECIDE veio a público através de uma reflexão intitulada “O Pecado de Elvino Dias: Dois Anos Depois, Quem Tem Medo da Verdade?”, sublinhando que recordar as vítimas não deve resumir-se a homenagens circunstanciais ou declarações formais.
A organização exige informação pública responsável sobre o estado do processo, a preservação e análise de provas, bem como a clarificação das linhas de investigação.
A Plataforma DECIDE e outros observadores relembram as lacunas do processo, apontando a precipitação da Polícia da República de Moçambique ao apresentar, apenas 14 horas após o crime, uma tese de motivação passional sem o devido suporte pericial.
Exigem-se ainda esclarecimentos sobre a perícia aos vestígios balísticos recolhidos no local e a confirmação se as imagens de câmaras de videovigilância ao longo do percurso das vítimas foram devidamente analisadas.
Relativamente às notícias que associaram nomes conhecidos ao caso, como Nini Satar, a sociedade civil adverte que suspeita ou hipótese investigativa não constituem prova judicial, e que a identificação de eventuais mandantes exige a demonstração consistente de factos que interliguem executores, intermediários e orquestradores do crime.
O caso traz também para o debate a importância da segurança digital e da protecção de rotinas para activistas, advogados e actores políticos, lembrando que transmissões em directo e partilha de localização em tempo real em contextos de alta tensão podem facilitar o mapeamento de padrões de mobilidade por parte de agressores.



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