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O ministro da Saúde, Ussene Hilário Isse, lançou o Roteiro de Investimento Estratégico do Plano Nacional de Adaptação da Saúde às Mudanças Climáticas, um instrumento orçado em 235 milhões de dólares americanos para os próximos cinco anos. Com este investimento, o Governo pretende inovar nos mecanismos de financiamento, fortalecer a resiliência do sistema de saúde e evitar cerca de 30 mil mortes.
O anúncio foi feito na terceira Conferência Internacional sobre o Impacto das Mudanças Climáticas na Saúde, em Maputo, um evento organizado pelo Instituto Nacional de Saúde que junta especialistas nacionais e internacionais para debater as crescentes ameaças ambientais que afectam o bem-estar da população.
Na sessão de abertura, o Ministro da Saúde, Ussene Hilário Isse, relembrou a gravidade das transformações do clima e o modo como estas atingem directamente as infra-estruturas e a saúde pública no território moçambicano.
Tal como sublinhou o governante, “as mudanças climáticas representam uma das maiores ameaças à saúde na actualidade, com impactos devastadores em todos os sectores e também na nossa sociedade”.
O ministro recordou o histórico recente de calamidades, mencionando episódios severos que marcaram o país, como os ciclones Idai, Kenneth, Freddy, Dikelede e Chido, bem como as recentes cheias e ondas de calor.
“Aquilo que vimos com os nossos olhos, senhores, não há história nem há palavras para contar. O importante é que precisamos de agir de forma colectiva para a agenda das mudanças climáticas”, apontou.
O Ministro da Saúde alertou que a intensificação dos choques climáticos coloca em risco os ganhos sanitários obtidos e compromete o alcance da cobertura universal de saúde.
De acordo com o governante, este cenário traduz-se no aumento de surtos de doenças infecciosas, como a cólera, no agravamento da desnutrição crónica, no surgimento de doenças não transmissíveis e no crescimento de traumas e perturbações mentais.
Perante este diagnóstico, o governante salientou que “se não agirmos de forma enérgica e urgente para assegurar a adaptação e resiliência climática do sistema de saúde a nível global e nacional, o cenário do nosso futuro poderá ser sombrio”.
Investimento de 235 milhões de dólares pretende evitar 30 mil mortes
Para fazer face a estes desafios, o Ministério da Saúde delineou intervenções estruturantes, que englobam a aprovação do Plano Nacional de Adaptação do Sector da Saúde às Mudanças Climáticas, a inclusão do tema no plano estratégico decenal do sector, a criação do Observatório de Clima e Saúde para prever riscos de doenças sensíveis ao clima como a malária e a diarreia, o fortalecimento do diagnóstico laboratorial no país, entre outras medidas.
A fechar a sua intervenção, o governante anunciou o lançamento do Roteiro de Investimento Estratégico do Plano Nacional de Adaptação da Saúde às Mudanças Climáticas, instrumento orçado em cerca de 235 milhões de dólares americanos para os próximos cinco anos.
O ministro explicou que o plano pretende inovar nos mecanismos de financiamento, gerando um retorno estimado em mais de dez vezes o valor investido, permitindo “evitar cerca de 30 mil mortes e mais de 1,6 milhões de anos de vida perdidos”.
“O Plano Nacional da Adaptação da Saúde às Mudanças Climáticas não é um plano convencional, mas sim uma visão estratégica resiliente. É uma declaração de que Moçambique não será uma vítima passiva das mudanças climáticas, mas construirá um sistema de saúde que proteja os cidadãos, fortaleça a economia e contribua para a estabilidade regional”, finalizou.



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