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O Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP) vai financiar a construção de um mercado grossista no distrito de Moamba, província de Maputo, para facilitar o escoamento da produção agrícola, reduzir os custos de transporte e diminuir a dependência dos produtores em relação ao mercado grossista do Zimpeto, na cidade de Maputo.
A garantia foi dada pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, durante um encontro com organizações de produtores agrícolas, realizado esta quarta-feira, no âmbito de uma visita de trabalho ao distrito de Moamba.
A reunião tinha como objectivo identificar soluções para melhorar a organização dos produtores e criar mecanismos que assegurem o escoamento da produção, privilegiando os mercados locais e a venda a preços justos.
O empreendimento será desenvolvido no quadro de uma parceria público-privada, na qual o Estado será representado pelo Fundo de Fomento Agrário e Extensão Rural, FP. A iniciativa pretende aproximar os pontos de comercialização das zonas de produção, reduzindo os encargos logísticos suportados pelos agricultores.
Durante o encontro, os produtores manifestaram preocupação com as dificuldades de acesso aos mercados, sobretudo os mais distantes, onde intermediários compram os produtos a preços baixos, muitas vezes sem compensar os custos e o esforço envolvidos na produção. Segundo os agricultores, esta situação tem desincentivado a actividade agrícola.
Perante estas preocupações, Roberto Mito Albino defendeu que a construção do mercado deve avançar com carácter de urgência, sem que seja necessário aguardar pela conclusão de todas as infra-estruturas.
“Não precisamos de esperar por um mercado completamente acabado. Podemos começar com os serviços essenciais e ir melhorando gradualmente, enquanto estiver em funcionamento”, explicou o governante.
O ministro chamou igualmente a atenção para a necessidade de proteger a produção nacional da concorrência dos produtos importados, sobretudo no segmento das hortícolas, defendendo melhores condições de comercialização para os agricultores moçambicanos.
“Como é que um produtor produz batata-reno e esta acaba por apodrecer, porque temos produto importado a disputar o mesmo espaço?”, questionou.
Na mesma ocasião, o governante afirmou que o Governo continuará a criar condições para favorecer a produção nacional, mas salientou que eventuais restrições às importações de hortícolas dependem da capacidade de assegurar o abastecimento do mercado interno.
“Trabalhem, porque o Governo vai continuar a criar condições para que o produto nacional prevaleça. Mas, para podermos restringir as importações de hortícolas, precisamos de ter garantias de que haverá produção internamente”, afirmou.
Os produtores manifestaram satisfação com a perspectiva de construção do mercado, considerando que a infra-estrutura poderá facilitar o escoamento da produção, melhorar os preços de venda e aumentar os rendimentos das famílias que dependem da agricultura.
No domínio do financiamento, Roberto Mito Albino anunciou a disponibilidade de fundos do Banco Mundial para apoiar os produtores na construção de sistemas de rega, represas e estufas. Acrescentou que serão lançadas, em breve, novas linhas de financiamento destinadas a impulsionar a produção e a modernização da actividade agrária, no âmbito da transformação do sector na Campanha Agrária 2026/27.
O governante apelou ainda à responsabilidade dos beneficiários dos financiamentos, sublinhando a importância do reembolso dos valores concedidos, de modo a permitir que outros produtores também tenham acesso aos recursos.
A construção do mercado grossista em Moamba enquadra-se nos esforços para melhorar as condições de comercialização da produção agrícola nacional, fortalecer o acesso dos produtores aos mercados e promover o aumento dos rendimentos das famílias que dependem da agricultura.



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