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De acordo com os dados mais recentes disponibilizados pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), o balanço acumulado entre o início de 01 de Outubro de 2025 e 5 de Fevereiro de 2026 aponta para uma rede viária severamente fustigada, com 7.000 quilómetros de estradas impactados pela fúria das águas. Este rasto de destruição resultou em vias totalmente intransitáveis ou com a circulação gravemente condicionada, isolando comunidades e dificultando o escoamento de bens essenciais em diversos pontos.
A gravidade do fenómeno intensificou-se drasticamente no último mês. Entre 9 de janeiro e 5 de fevereiro de 2026, a Administração Nacional de Estradas mais da metade dos danos ocorreu num curto intervalo de poucas semanas, concentrando-se com particular severidade na zona sul do país. Províncias como Maputo e Gaza tornaram-se o epicentro desta crise logística.
Eixos vitais para a economia e mobilidade nacional, como a Estrada Nacional Número 1 nos troços entre a Manhiça, 03 de Fevereiro e Incoluane, além das ligações EN2: Matola-Boane, EN200: Boane-Bela Vista e a rota R804: Vila de Marracuene-Macaneta, sofreram interrupções críticas. Embora intervenções de emergência tenham permitido a reabertura condicionada, a fragilidade do sistema é evidente, somando-se ainda a destruição ou danificação de 28 pontes e 128 aquedutos.
Para além do betão e do asfalto, o custo humano desta intempérie é profundo. O levantamento estatístico traduz uma tragédia que já alcançou 845.000 pessoas em todo o território moçambicano, o que representa 194.800 famílias mergulhadas na incerteza. O luto também marca este período, com o registo oficial de 191 óbitos, 291 feridos e 11 desaparecidos. Apenas no último mês, foram 723.500 afectados e 23 óbitos. O impacto habitacional é igualmente avassalador, com 181.600 habitações inundadas, resultando em 12.200 casas parcialmente destruídas e 5.600 totalmente destruídas.
Os sectores sociais não foram poupados, com o sistema de ensino a enfrentar um revés significativo. Nos últimos três meses, 578 escolas e 1.600 salas de aula foram afectadas, prejudicando o percurso de 322.000 alunos e 13.600 professores. No sector da saúde, a pressão aumenta com 242 unidades sanitárias danificadas, somando-se ainda o impacto em 46 salas de culto.
A economia rural sofreu um golpe devastador, com 530.900 animais afectados, sendo que 412.400 morreram apenas entre ganeiro e Fevereiro. No sector agrícola, contabilizam-se 554.600 hectares afectados, dos quais 287.800 hectares de culturas foram considerados totalmente perdidos, afectando directamente o rendimento de 365.000 agricultores. Este panorama reforça a urgência de estratégias de resiliência climática para o país, perante uma natureza que se manifesta com uma intensidade cada vez mais difícil de conter.



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