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Os escritores Alex Barga e Galhardo Vaz Negro juntam-se para lançar o livro de poesia “Assim de Muletas, Vai o Meu País”, uma obra que procura retractar, de forma crítica e reflexiva, as múltiplas realidades vividas em Moçambique.
Segundo os autores, a obra não tem como objectivo atacar ou acusar directamente, mas provocar reflexão sobre os problemas que marcam o quotidiano do país. Nos poemas, Moçambique é descrito como “um país que avança para trás”, apesar das suas riquezas naturais.
A colectânea aborda temas como pobreza extrema, corrupção, desigualdades sociais e baixos salários. Os textos também reflectem sobre a dependência de ajuda externa e o ambiente de silêncio ou pressão sobre quem expressa opiniões divergentes.
Entre as histórias retratadas nos poemas está a do médico que continua a cuidar dos pacientes mesmo doente e sem condições adequadas de trabalho, enfrentando a falta de equipamentos e o não pagamento de horas extras. Surge igualmente a figura do professor desvalorizado, sem salário digno, que permanece na sala de aulas apesar das dificuldades.
Os autores também fazem referência a fenómenos como o rapto de empresários, a fome que afecta parte da população e a frustração de muitos cidadãos que dizem não ver mudanças significativas ao longo de décadas.
A obra levanta ainda questionamentos sobre a qualidade da democracia e sobre o que os autores consideram ser uma independência ainda incompleta.
Com uma linguagem poética, mas carregada de crítica social, o livro procura dar voz às preocupações de muitos moçambicanos e incentivar o debate público sobre o presente e o futuro do país.



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