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O país a gastou, em média, um milhão de dólares por dia na importação de veículos no ano passado. Dados do Banco de Moçambique revelam que, nos primeiros nove meses de 2025, a factura total atingiu 259,5 milhões de dólares. Este fluxo financeiro constante é reflexo da total ausência de produção industrial interna, obrigando o Estado e os cidadãos a recorrerem integralmente ao estrangeiro para garantir a mobilidade nacional.
A análise histórica demonstra que este volume de importações segue um padrão consistente de elevada despesa em divisas. Em 2022, Moçambique gastou 369,3 milhões de dólares no sector, valor que subiu para 421 milhões em 2023, fixando-se em 386,8 milhões no ano de 2024. Este fluxo contínuo de entrada de viaturas resultou num crescimento de 4,2% do parque automóvel nacional no último ano, ultrapassando a marca histórica de 1,3 milhão de unidades em circulação no território nacional.
O crescimento do parque é impulsionado sobretudo pelos veículos ligeiros, que dominam o mercado com 897,3 mil unidades, após um crescimento de 12% registado no período entre 2021 e 2024. O inventário nacional automóvel completa-se com 267,8 mil viaturas pesadas, cerca de 100,7 mil motorizadas e pouco mais de 16 mil tractores, reflectindo a diversidade de meios que circulam nas estradas moçambicanas, embora todos tenham como origem comum a importação.
Apesar da expansão numérica das viaturas, o acesso aos meios de transporte revela uma profunda assimetria geográfica. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, quase metade de todo o parque automóvel do país está concentrado na região sul. Das 1,3 milhão de viaturas registadas em 2024, a cidade de Maputo absorve 564,5 mil unidades, enquanto a província de Maputo detém 496,7 mil, evidenciando que o desenvolvimento da mobilidade automóvel permanece fortemente centralizado na capital e arredores, em detrimento das restantes províncias do país.



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