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O encerramento das actividades da USAID e o consequente corte de financiamento ao sector da saúde provocaram uma redução sensível na capacidade nacional de testagem e diagnóstico da tuberculose. Dados oficiais indicam que o diagnóstico da doença regrediu cerca de 6% entre 2024 e 2025, coincidindo com o período em que o financiamento externo foi interrompido. A tuberculose permanece como uma das principais causas de morte por doenças infecciosas no país, com um registo anual de pouco mais de 100 mil novos casos, números que sofreram um impacto directo devido à mudança nas políticas de apoio financeiro da administração norte-americana.
A Directora do Programa de Controle da Tuberculose, Benedita José, esclareceu que a interrupção das verbas afectou a base operacional do programa, especialmente ao nível da actuação comunitária.
“Quando nós tivemos o corte de financiamento do Governo Americano, afectou o programa da tuberculose, considerando que nós temos alguns actores comunitários, que prestam serviços para a tuberculose e são financiados por este financiamento externo. Então, isso afectou muito e levou a uma redução de números de casos que eram diagnosticados. Em 2023, nós estávamos em cerca de 116 mil casos de tuberculose diagnosticados e tivemos uma redução de cerca de 9%”, detalhou a responsável.
Embora o Ministério da Saúde mantenha a atenção sobre a incidência da doença em menores, as autoridades alertam que as formas mais graves da patologia se manifestam predominantemente em adultos. Benedita José explicou que a imunização precoce confere uma camada de protecção importante aos mais novos, mas ressalvou a necessidade de redireccionar esforços para os grupos de idade mais avançada.
“As crianças têm a vantagem de poder receber uma vacina contra o BCG, uma vacina que, geralmente, deixa marcas no ombro. Então, esta vacina previne a ocorrência de formas graves, o que significa que temos tuberculose em crianças, mas as formas graves são pouco frequentes (…) Mas nós começamos a ter uma reativação das infecções na fase adulta, o que significa que não devemos nos concentrar nas crianças, mas é preciso haver acções que olhem para a fase adulta”, afirmou a Directora.
A meta do Governo é eliminar a tuberculose até ao ano de 2030, um objectivo que exige, segundo o Ministro da Saúde, um reforço na inovação, na investigação e na coordenação institucional. Durante uma palestra alusiva ao Dia Mundial da Tuberculose, o governante reiterou a importância de optimizar os recursos existentes para compensar o défice de financiamento externo. Do ponto de vista geográfico, verificou-se uma alteração na dinâmica epidemiológica em 2025; enquanto as províncias de Gaza e Inhambane lideram historicamente o número de casos, a estatística mais recente mostra uma pressão acrescida sobre as províncias da Zambézia e de Nampula.



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