Aproximadamente 10.500 turmas estudam ao ar livre no  presente ano lectivo

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Moçambique enfrenta um agravamento no défice de infra-estruturas escolares, com cerca de 10.500 turmas a frequentarem aulas ao ar livre ou sentadas no chão no presente ano lectivo. Esta realidade afecta com maior gravidade as províncias de Maputo, Cabo Delgado, Nampula e Zambézia, identificadas como os pontos mais críticos do país. Os dados foram partilhados pela ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, durante as celebrações do Dia da Mulher Moçambicana, onde a governante admitiu as dificuldades do Executivo em expandir a rede escolar ao ritmo das necessidades da população.

A situação actual representa um retrocesso face aos números de 2025, altura em que o país contabilizava 10 mil turmas nesta condição, o que demonstra que a pressão sobre o sistema educativo continua a crescer. Samaria Tovela reconheceu que, embora o Governo esteja a priorizar o investimento em infraestruturas nas zonas mais afectadas, ainda não existe um prazo definido para solucionar o problema em definitivo.

 A ministra explicou que, apesar do esforço financeiro, a capacidade de resposta do Estado é travada pelas limitações orçamentais. A governante detalhou que o investimento no ensino é prioritário, mas as receitas totais do país não acompanham a necessidade de construção de novas salas.

“O sector da educação absorve entre 26% e 29% do Orçamento do Estado, uma percentagem considerada elevada, mas o reduzido volume global de receitas limita a capacidade de resposta”, frisou Samaria Tovela. Esta restrição financeira faz com que, mesmo com uma fatia importante do orçamento, o ritmo de construção de escolas não consiga eliminar as turmas ao relento nas províncias que concentram o maior número de casos.

Para além das limitações de fundos, o rápido crescimento populacional é apontado como um factor que agrava a escassez de salas de aula, mantendo o sistema sob constante pressão. A ministra acrescentou que o país conta com o apoio de parceiros internacionais para tentar inverter este cenário, mas reiterou que ainda não há uma previsão concreta para o fim desta realidade pedagógica. Enquanto os investimentos não se traduzem em edifícios, milhares de crianças moçambicanas continuam a depender das condições climatéricas para poderem assistir às aulas no dia-a-dia.

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