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A Autoridade de Aviação Civil de Moçambique (IACM) revelou que o transporte aéreo no país enfrentou um ano de retração em 2025, movimentando um total de 1,8 milhão de passageiros. Este volume representa uma redução de 9,3% em comparação com os 2,05 milhões de viajantes contabilizados em 2024. De acordo com os dados apresentados, a queda foi impulsionada por uma combinação de instabilidade política e desafios operacionais internos que afetaram a regularidade das ligações aéreas no território nacional e regional.
O desempenho negativo do setor foi fortemente influenciado pelo clima de tensão que se seguiu às eleições de outubro de 2024. Os protestos e a instabilidade política registados nos meses subsequentes provocaram o cancelamento e a suspensão de diversos voos, demonstrando a elevada sensibilidade da aviação a fatores externos. Paralelamente a este contexto social, a atividade global do setor contraiu 6,9%, muito devido aos sérios constrangimentos operacionais enfrentados pelas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM). A indisponibilidade da frota da companhia de bandeira comprometeu rotas estratégicas, como as ligações de Maputo para Lisboa, Harare e Lusaka, reduzindo a oferta e a fiabilidade do serviço.
As estatísticas de operações de voo acompanharam a tendência de descida, com o movimento de aeronaves a cair 10,9%, totalizando 54 495 operações contra as mais de 61 mil registadas no período homólogo. No segmento do transporte de mercadorias, o cenário foi ainda mais crítico, registando-se uma quebra de 28,4% no volume de carga manuseada, que fixou-se em 7,8 mil toneladas. Segundo o IACM, este recuo acentuado no manuseamento de carga deveu-se, em grande medida, à introdução de uma nova taxa de segurança, que encareceu os custos logísticos e desincentivou as operações neste segmento específico.
Apesar dos indicadores desfavoráveis, a autoridade reguladora assegura que estão em curso medidas para mitigar estes impactos e inverter a trajetória de retração. No final do exercício de 2025, o sistema de aviação civil moçambicano contava com 88 aeronaves registadas sob a gestão de 14 operadores comerciais. A infraestrutura de suporte ao setor permanece vasta, sendo composta por 12 aeroportos principais, 256 aeródromos públicos e 21 aeródromos privados, mantendo-se a expectativa de que a estabilização do cenário político e a recuperação da frota operacional permitam retomar os níveis de crescimento nos anos seguintes.



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